REUTERS/Stefanie Loos
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Merkel cancela ida à Rússia em protesto pela crise na Ucrânia

Chanceler alemã participaria de ato para lembrar o fim da 2ª Guerra; para Otan, Moscou mantém apoio a rebeldes

BERLIM, O Estado de S.Paulo

12 Março 2015 | 02h01

A chanceler alemã, Angela Merkel, não comparecerá a uma cerimônia oficial em Moscou em 9 de maio para marcar o 70.º aniversário do fim da 2.ª Guerra em razão da crise na Ucrânia, disseram autoridades do governo de Berlim.

"Diante dos acontecimentos na Ucrânia, é impossível para Merkel participar da tradicional parada militar na Praça Vermelha", afirmou um funcionário alemão. Mas a chanceler vai depositar uma coroa no Monumento do Soldado Desconhecido em Moscou um dia depois.

Merkel visitou Moscou em 6 de fevereiro na companhia do presidente francês, François Hollande, para preparar com o presidente russo, Vladimir Putin, um acordo para pôr fim aos combates no leste da Ucrânia.

A União Europeia e os EUA acusam a Rússia de armar os separatistas e reforçar suas fileiras com soldados. Moscou nega seu envolvimento e diz que os EUA incitaram o governo pró-Ocidente de Kiev a ir à guerra.

Os Estados Unidos impuseram sanções a oito rebeldes ucranianos e a um banco russo e anunciaram mais ajuda não letal à Ucrânia ontem, depois de acusarem os separatistas apoiados pela Rússia de romper o cessar-fogo mediado por países europeus.

Washington está aumentando a pressão sobre Moscou um dia depois de afirmar que a Rússia enviou tanques e equipamento militar pesado à Ucrânia, uma violação do acordo firmado em Minsk, capital de Bielo-Rússia, em 12 de fevereiro.

Com sede em Moscou, o Russian National Commercial Bank (RNCB) se tornou em 2014 o primeiro banco russo a abrir agências na Crimeia após sua anexação pela Rússia. O RNCB afirmou que as sanções "não representam uma ameaça a suas atividades" e "atualmente, não tem ativos nos EUA".

Cessar-fogo. Ainda ontem, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que a Rússia continua a armar e treinar forças rebeldes no leste da Ucrânia e pediu a Moscou que respeite o cessar-fogo retirando-se completamente do conflito.

Questionado em entrevista coletiva sobre as declarações de um diplomata dos EUA, segundo as quais tanques russos teriam entrado na Ucrânia nos últimos dias, ele rejeitou a comentar especificamente, mas disse: "Ainda vemos presença e apoio intenso russo aos separatistas no leste da Ucrânia. Vemos a entrega de equipamentos, forças e treinamento. Então a Rússia ainda está no leste da Ucrânia", disse. "Assim, pedimos à Rússia que retire todas suas forças do leste da Ucrânia e respeite o acordo de Minsk." / REUTERS

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