Adam Berry/AFP
Adam Berry/AFP

Merkel chega ao Brasil para visita; reforma do CS da ONU está na agenda

Além de debater propostas de mudança no conselho, chanceler alemã traz ministros na comitiva para firmar acordos

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2015 | 02h00

BRASÍLIA - A chanceler alemã, Angela Merkel, desembarcou ontem no Brasil acompanhada de 12 ministros para uma visita oficial que tem na agenda temas como a reforma do Conselho de Segurança da ONU e parcerias em áreas de meio ambiente e mudanças climáticas. A líder europeia foi recebida em um jantar pela presidente Dilma Rousseff, com quem voltará a se encontrar nesta quarta-feira.

Além de debater uma reforma do CS, defendida por Brasil e Alemanha desde 2004, o governo brasileiro espera que o diálogo estratégico sirva para convencer os alemães a ampliar os investimentos em infraestrutura, especialmente no Programa de Investimento em Logística. Merkel defende a visita como parte de uma relação de longo prazo que deve ter como foco desenvolvimento tecnológico e parcerias na área de meio ambiente - especialmente em mudanças climáticas.

A viagem da chanceler foi questionada pela imprensa alemã após os protestos de domingo contra Dilma. O porta-voz do governo de Berlim, Steffen Seibert, respondeu que as "questões internas" do governo brasileiro não definem a agenda de visitas de Merkel.

O encontro entre as chefes de governo - que não é uma visita de Estado, mas uma reunião bilateral de alto nível, no jargão diplomático - é a primeira de uma sequência de reuniões que devem ocorrer a cada dois anos entre os dois governos para tratar de temas de interesse mútuo e foi acertado durante a visita de Merkel ao Brasil no ano passado, na Copa do Mundo.

A Alemanha só mantém esse tipo de diálogo com alguns países europeus - França, Espanha, Itália, Polônia e Holanda -, além de EUA, China, Israel, Índia e Rússia. O Brasil foi incluído na lista no ano passado.

O foco alemão no Brasil, além da cooperação na área ambiental - o país deve fazer um investimento de R$ 52 milhões em programas nessa área - e de energia, é tentar ampliar a presença de empresas no mercado brasileiro e garantir espaço em uma concorrência com a China.

Em entrevista ao canal alemão Deutsche Welle, Reinhold Festge, presidente da Associação dos Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais, destacou a necessidade de os produtos alemães "marcarem presença" no Brasil.

Do lado brasileiro, a presidente pretende apresentar seu plano de concessões a Merkel e tentar atrair investimentos, especialmente na área de portos. O Plano de Logística, que prevê a necessidade de R$ 198,4 bilhões para infraestrutura, vem sendo vendido pela presidente em viagens ao exterior e aos líderes que visitam o Brasil - o governo vê como essencial a entrada de recursos estrangeiros.

Desta vez, a chanceler alemã não traz consigo empresários, apesar do interesse alemão no mercado brasileiro. Em setembro, um encontro apenas de negócios deve ocorrer em Santa Catarina. Ainda assim, a economia deverá ser um dos pontos centrais da conversa entre as duas líderes.

Na tarde de ontem, Dilma reuniu no Palácio do Planalto representantes de 20 empresas que têm investimentos na Alemanha. A intenção é abrir um canal direto com Merkel para facilitar a relação. Não há, no entanto, a previsão de que sejam assinados acordos significativos. Além do investimento em projetos de meio ambiente, entram na lista protocolos de intenções para explorar terras raras, matérias-primas estratégicas para produtos de alta tecnologia que o Brasil possui, mas não explora adequadamente. Há também acordos para pesquisas marinhas e de mobilidade urbana.

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