Alexander Zemlianichenko/AP
Alexander Zemlianichenko/AP

Merkel cobra ação de Putin na Ucrânia

Chanceler alemã diz que presidente russo pode fazer mais para dissuadir rebeldes separatistas

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2015 | 02h04

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou ontem, após receber a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que o processo de paz no leste da Ucrânia "estava progredindo apesar das dificuldades". A chefe de governo, por sua vez, instou a Rússia a fazer mais para persuadir os separatistas ucranianos a respeitar um cessar-fogo.

Merkel reafirmou seu apoio aos esforços para se alcançar a paz, mas insistiu que Putin use sua influência com os separatistas que continuam combatendo as forças do governo de Kiev. O conflito nessa região já matou mais de 6 mil pessoas desde abril do ano passado.

"Há todos os motivos para acreditar que o processo de Minsk (na Bielo-Rússia, onde foi feita a negociação) está indo adiante, ainda que com alguns problemas", declarou Putin em uma entrevista coletiva com Merkel. Ele acrescentou que o diálogo direto entre Kiev e representantes separatistas foi "crucial para a paz".

Merkel e o presidente francês, François Hollande, ajudaram a mediar o cessar-fogo, em 12 de fevereiro, mas ele tem sido constantemente violado.

As relações entre a Rússia e a Alemanha, que envolvem acordos multibilionários e contratos de energia, azedaram drasticamente com a decisão de Moscou de anexar a região ucraniana da Crimeia e por seu apoio aos separatistas ucranianos. Berlim tem apoiado as sanções econômicas de potências ocidentais que têm prejudicado a economia russa.

"Ainda assim, a lição da história é que temos de tentar de tudo para resolver conflitos - por mais difícil que isso possa parecer - pacificamente e com diálogo, o que significa diplomaticamente", disse Merkel.

A líder alemã visitou a Rússia para as cerimônias pelo 70.º aniversário do fim da 2.ª Guerra na Europa. No entanto, Merkel não participou da parada militar na Praça Vermelha, no sábado, em Moscou.

Desertores. Ainda ontem, a agência Reuters afirmou que vários soldados e ativistas dos direitos humanos relataram que militares estão deixando o Exército russo em razão da crise no leste ucraniano.

As declarações põem em xeque as contínuas afirmações do Kremlin de que não há soldados russos combatendo na Ucrânia e apenas "voluntários" têm apoiado os rebeldes. / AP e EFE

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