Merkel condena EUA por espionagem e diz esperar mudanças

Em entrevista a TV alemã, chanceler afirma que Berlim e Washington divergem totalmente sobre a visão que têm dos setores de inteligência

O Estado de S. Paulo , O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2014 | 13h16

BERLIM - A chanceler alemã, Angela Merkel, disse neste sábado, 12, que novas informações de espionagem dos EUA mostraram que Berlim e Washington divergem totalmente sobre a visão que têm dos setores de inteligência e espera que as reações alemãs convençam os americanos de que eles não devem espionar aliados. Os comentários foram feitos para a emissora de TV alemã ZDF, dois dias após o governo alemão ter pedido que o chefe da Agência de Inteligência Americana (CIA, por sua sigla em inglês) em Berlim deixe o país, numa forte demonstração de insatisfação após autoridades alemãs terem descoberto dois possíveis espiões. 

Na sexta-feira, o secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, disse a repórteres que quando as diferenças aparecem, os EUA estão "comprometidos em resolvê-las por meio dos canais privados existentes". "Não acreditamos que seja apropriado tentar resolvê-las pela imprensa", declarou. O escândalo esfriou as relações entre Berlim e Washington a um ponto não observado desde que o antecessor direto de Merkel, Gerhard Schröder, se opôs à invasão do Iraque, em 2003. No ano passado, revelações feitas pelo ex-técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden mostraram que o telefone de Merkel foi grampeado por agentes americanos. 

Questionada sobre quão furiosa ficou após ouvir sobre os supostos espiões, um dos quais trabalhava para a Agência de Inteligência Alemã (BND, na sigla em alemão) e o outro para o Ministério da Defesa, Merkel afirmou: "Não importa o quão brava eu furiosa eu fiquei. Para mim é um sinal de que temos concepções fundamentalmente diferentes sobre o trabalho dos serviços de inteligência". "Não consigo falar antecipadamente se as medidas que tomamos terão efeito, mas espero que algo mude. O mais importante é mostrarmos como vemos as coisas, e não existe uma parceria cooperativa quando essas coisas acontecem", afirmou. Merkel disse ainda que há questões mais importantes para se espionar e fazer isso contra amigos abala a confiança mútua. "Não vivemos mais na Guerra Fria e temos diferentes ameaças. Devíamos nos concentrar no que é essencial", afirmou. Ela acrescentou, contudo, que agentes da inteligência alemã continuam trabalhando com americanos e deseja a continuação desse trabalho.

Merkel também descartou problemas entre a União Europeia e os EUA para o fechamento de um acordo de livre comércio em decorrência dos recentes atritos sobre espionagem. Autoridades americanas disseram à agência Reuters na sexta-feira que o funcionário da Defesa alemã que está sob investigação mantinha contato com o Departamento de Estado e não com as agências de inteligência, o que levanta dúvidas sobre a existência de espionagem contra a aliada Alemanha. O membro em questão não foi preso. O outro homem está sob custódia após ser detido por espionagem. Ele disse a investigadores que passou documentos para a CIA. Autoridades dos EUA reconheceram internamente que isso ocorreu e a agência classificou as informações como preciosas. / REUTERS 

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