Merkel defende bombardeio alemão

Mas ação que matou 90 afegãos será investigada, admite chanceler

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

A três semanas das eleições gerais alemãs, a chanceler Angela Merkel tomou ontem uma arriscada decisão ao defender a participação do país na guerra do Afeganistão, extremamente impopular na Alemanha. Diante do Parlamento, Merkel prometeu uma investigação completa do ataque, comandado pela Alemanha, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que matou 90 pessoas, incluindo civis, na Província de Kunduz, na sexta-feira. Ela admitiu a possibilidade de civis terem sido mortos, mas disse que ainda não tinha informações concretas sobre as vítimas.

"Ainda não e possível esclarecer o que ocorreu. E não aceitaremos julgamentos prematuros", disse Merkel. A Alemanha foi duramente criticada por ordenar o ataque - contra dois caminhões-tanque da Otan capturados pelo Taleban - e por inicialmente insistir que apenas taleban haviam morrido.

Em junho, o general Stanley McChrystal, principal comandante dos EUA e da Otan no país, ordenou que, antes de atacar, os militares se certificassem de que não houvesse civis no alvo. O objetivo era reduzir o número de inocentes mortos - o que prejudica a imagem das tropas estrangeiras.

Ataques aéreos sempre foram repreendido pelos militares alemães. Mas um recente aumento no número de ataques contra seus soldados fez com que o comando mudasse de tática.

A rejeição pela missão alemã no Afeganistão tem crescido cada vez mais. Uma pesquisa recente indica que 60% dos alemães é a favor da retirada dos 4.200 soldados. Ontem, o Partido A Esquerda convocou uma manifestação na Portão de Brandenburgo, região central de Berlim, para protestar contra a presença militar alemã no conflito afegão. "A guerra no Afeganistão é inútil", disse Vonstantin Bender, um dos diretores da ala jovem do partido. "O dinheiro que tem sido gasto no conflito poderia ser utilizado para outras coisas como a recuperação da infraestrutura ou a construção de escolas no Afeganistão." Com origens no Partido de União Socialista, da antiga Alemanha Oriental, A Esquerda tem aumentado sua base de apoio, especialmente no Leste.

A repórter viajou a convite do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.