Merkel desmente Sarkozy sobre caso de ciganos

A crise diplomática na União Europeia causada pela política de expulsão de ciganos romenos e búlgaros da França resultou ontem no isolamento do presidente Nicolas Sarkozy. Por meio de seu porta-voz, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, desmentiu que tenha dado qualquer tipo de apoio ao Palácio do Eliseu, como o líder francês havia afirmado na quinta-feira. Sem meias palavras, Merkel reiterou que seu governo não tem nenhuma intenção de adotar uma política de expulsão sistemática de estrangeiros da Alemanha.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

O pronunciamento bate de frente com as declarações feitas por Sarkozy em Bruxelas, quando o presidente afirmou ter o total apoio da Alemanha. A afirmação havia sido feita quando Sarkozy respondia à imprensa internacional sobre a altercação que tivera com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. "Merkel indicou sua vontade de realizar nas próximas semanas a retirada dos acampamentos", disse Sarkozy, vangloriando-se do "apoio completo" da chanceler.

A surpresa veio no início da manhã de ontem. Questionado sobre o tema, o porta-voz do governo Merkel, Steffen Seibert, negou que a chanceler tenha a intenção de desmantelar campos de ciganos. Minutos depois, o ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, reforçou o desmentido.

O tema também criou um clima de mal-estar em Berlim porque em diversas línguas europeias - como em francês - as palavras "acampamento" e "campo" são uma só e remete aos campos de concentração mantidos pela Alemanha nazista.

Em Paris, Bernard Kouchner, ministro das Relações Exteriores da França, foi questionado pela rádio Europe 1 sobre o desentendimento entre os dois governos, mas disse "não saber nada sobre o assunto".

Isolamento. As divergências entre França e Alemanha ampliam o isolamento do Palácio do Eliseu na União Europeia.

Apenas a Itália, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, cujo governo também expulsa sistematicamente ciganos do país, anunciou apoio incondicional a Sarkozy.

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