Merkel diz estar confiante na eleição alemã do dia 27

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que está confiante na formação de um novo governo de centro-direita após a eleição nacional de 27 de setembro. Ela afirmou que não vai alterar sua estratégia, apesar dos resultados decepcionantes das eleições realizadas no fim de semana em três Estados. O conservador Partido Democrata Cristão perdeu ontem a maioria nos Estados de Sarre e Turíngia por margens maiores do que a esperada. A performance foi melhor na Saxônia, onde os conservadores podem descartar a "grande coalização" esquerda-direita e optar por uma de maioria de centro-direita. É exatamente isso que Merkel espera fazer no mês que vem em escala nacional.

AE-AP, Agencia Estado

31 de agosto de 2009 | 13h07

"Nós temos possibilidade de vencer a eleição federal e então, como o grande partido de centro, formar um governo com os Democratas Livres", um partido de oposição pró-mercado, disse ela hoje durante uma coletiva de imprensa. Os opositores de centro-esquerda da chanceler, que, segundo as pesquisas, perderão as eleições nacionais por margens de dois dígitos, celebraram os resultados do fim de semana como um sinal de que ainda podem frustrar as expectativas de Merkel.

Ainda assim, eles não conseguiram atingir a chanceler, que tem feito uma campanha contida e sem controvérsias, um grande contraste na comparação com sua campanha de quatro anos atrás, quando defendeu uma profunda reforma econômica e quase perdeu a eleição. Para o presidente do Partido Social Democrata, Franz Muentefering, a eleição ontem mostrou que o voto de continuidade não necessariamente prevalece. Ele espera derrotar o partido de Merkel e substituí-la no cargo.

Mas Merkel disse que não vai mudar sua plataforma política. Ela deixou claro hoje que buscará uma coalizão de centro-direita com os Democratas Livres como uma forma mais segura para promover a recuperação econômica da Alemanha. Esta é "a variável que vai retirar a Alemanha da crise mais rapidamente, promover mais crescimento e assegurar e criar mais empregos", disse ela. O partido da chanceler promete mais cortes de impostos num esforço para estimular a economia, embora não tenha especificado quando isso será feito.

Merkel afirmou que a derrota ontem foi semelhante à eleição de 2004, quanto seu partido fazia oposição a um governo muito impopular de centro-esquerda. Ela afirmou que os resultados mostraram a necessidade de "condições claras e estáveis" em âmbito nacional. A chanceler se referiu aos confusos resultados em Sarre e na Turíngia, onde ainda não está claro quem venceu o pleito. Pelo menos um dos governadores pode perder o cargo para uma aliança de três partidos de esquerda.

''Grande coalizão''

Um resultado similar nas eleições nacionais de 2005 fez com que Merkel criasse a "grande coalizão". Segundo a chanceler, os líderes do partido concordaram que "não temos razões para mudar nossa estratégia". "Eu não vou me tornar mais agressiva, vou apresentar argumentos", disse ela. "E eu não acho que o volume de coisas que um candidato fala tenha qualquer efeito imediato no convencimento dos eleitores." Muentefering deixou claro que o principal objetivo dos sociais democratas é evitar uma coalizão de centro-direita.

Isso permitiria ao partido entrar numa nova "grande coalizão", mas não está claro como o maior oponente dos sociais democratas, o ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier, poderia se tornar chanceler. Os resultados ontem fizeram com que os sociais democratas reafirmassem sua promessa de que não formarão uma coalizão nacional de governo com o opositor Partido de Esquerda, que se opõe às reformas econômicas e à presença de tropas alemãs no Afeganistão, mesmo que os dois partidos contemplem alianças regionais.

Muentefering desconsiderou as afirmações de que as alianças regionais possam prejudicar a credibilidade do partido. "Eu não temo que isso aconteça", afirmou. Políticos alemães condenaram o que parece ter sido um vazamento antes do fechamento das urnas, no site do Twitter, dos resultados de pesquisas de boca-de-urna dos três Estados que realizaram eleições ontem.

A comissária eleitoral de Sarre, Karin Schmitz-Messner, disse hoje que foi um caso sem precedentes. Mas os políticos condenaram a circulação virtual dos dados das eleições de Sarre, Turíngia e Saxônia. Wolfgang Bosbach, do partido da chanceler Angela Merkel, disse que o vazamento era "um dano à democracia" e advertiu sobre a "ameaça de que a eleição seja deturpada" em entrevista ao jornal "Koelner Stadt-Anzeiger". Joerg van Essen, dos Democratas Livres, disse ao mesmo diário que a liberação dos dados é inaceitável.

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