AFP PHOTO / dpa / Axel Heimken / Germany OUT
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Boca de urna indica vitória de Merkel, mas forte ascensão da extrema direita

Partido Social-Democrata retira apoio e deixa Merkel com única opção de coalizão; derrotado na eleição deste domingo, Martin Schulz anuncia que permanecerá na liderança e que levará partido para a oposição à chanceler

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2017 | 12h43
Atualizado 24 Setembro 2017 | 16h44

BERLIM - Pesquisas de boca de urna na Alemanha indicam que a atual chanceler, Angela Merkel, do Partido Democrata-Cristão (CDU), será reconduzida ao cargo de primeira-ministra para seu quarto mandato. Se confirmados os prognósticos, entretanto, o resultado dos dois maiores partidos do País será historicamente baixo, marcando a fragmentação do eleitorado e a ascensão vertiginosa da Alternativa para a Alemanha (AfD), movimento de extrema direita criado em 2013.

A primeira pesquisa revelada logo após o fechamento das seções eleitorais, às 18h, horário de Berlim, neste domingo, 24, indicou que a coalizão liderada por Merkel terá 32,5% dos votos, em primeiro lugar. Se o resultado se confirmar, na prática a chanceler terá o apoio direto de menos de um terço dos 61,5 milhões de eleitores alemães para governar em seu quarto mandato.

Em segundo deve ficar o ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz, líder do Partido Social-Democrata (SPD), que deve registrar seu pior resultado histórico, com 20% dos votos. 

Já o AfD será um dos grandes vencedores do pleito, com a perspectiva de se tornar a terceira força política do país. O resultado não apenas faz o partido superar a cláusula de barreira, de em média 5% dos votos, mas também subir de 4,7% em 2013 para 13,5% dos votos em 2017. O resultado já vem sendo inclusive comemorado no quartel-general do partido. Na sequência, a pesquisa não é clara. A tendência é de um empate técnico entre o Partido Liberal-Democrático (FDP, centro-direita), que teria 10,5% dos votos, o Partido Verde (centro-esquerda), com 9%, e o Die Linke (esquerda), ambos com 9% das preferências. 

A apuração deve avançar nas próximas horas, para um resultado claro ainda no final da noite de hoje, no horário europeu. Caso os prognósticos dos institutos de pesquisa se confirmem, os líderes políticos terão de negociar a formação de uma nova coalizão para governar o País - como acontece a cada eleição desde 1945, quando do fim da Segunda Guerra Mundial. Uma das mais fortes possibilidades é a de renovação da " grande coalizão " entre CDU e SPD, com a qual Merkel governou em seu primeiro e no terceiro mandatos. Reunidos, os dois partidos somariam 52,5% de apoio.

Outra perspectiva é a formação da chamada " coalizão jamaicana ", em uma referência às cores do CDU, do Partido Verde e dos Liberais-Democratas. Essa reunião representaria, de acordo com a pesquisa de boca de urna, 50,5% dos votos.

Partido Social-Democrata retira apoio e deixa Merkel com única opção de coalizão

O líder do Partido Social-Democrata (SPD), Martin Schulz, anunciou neste domingo, em Berlim, que não oferecerá à chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a possibilidade de uma nova "grande coalizão" com o Partido Democrata-Cristão (CDU). A decisão deixa a atual chefe de governo com apenas uma opção de aliança para governar o País pela quarta vez, reunindo o Partido Liberal-Democrata (FDP, centro-direita) e o Partido Verde (centro-esquerda).

A decisão de Schulz foi anunciada em seu primeiro discurso após o fechamento das urnas. Na oportunidade o líder do SPD, ex-presidente do Parlamento Europeu reconheceu a derrota, na qual o partido deve ter o pior resultado de sua história, em torno de 20% dos votos. "Este é um dia difícil e amargo para a social-democracia na Alemanha. Não atingimos os nossos objetivos ", admitiu Schulz, anunciando porém a intenção de continuar à frente do partido para liderar sua reforma interna. "Atingimos menos eleitores do que estávamos esperando, mas os que vieram podem acreditar que vamos perseguir os nossos objetivos. "

Schulz anunciou então que não aceitará um novo convite para renovar a " grande coalizão " entre CDU e SPD, com a qual Merkel pôde governar ao longo de seu primeiro e de seu terceiro mandatos. Segundo o social-democrata, o partido não pode permitir que a Alternativa para a Alemanha (AfD), movimento de extrema direita, seja o líder da oposição ao governo no Parlamento. "Nós somos a oposição democrática. Vamos usar o tempo para nos reposicionar e nos reorganizar mais uma vez ", anunciou. " Nessa noite a cooperação entre o SPD e o CDU está chegando ao final. A grande coalizão perdeu votos, perdeu suporte, e há uma maioria possível e viável para a formação de uma 'coalizão Jamaica'. "

A "coalizão Jamaica ", uma alusão às cores do CDU, do Partido Verde e do FDP, é assim a única opção de Angela Merkel para governar em um quarto mandato.

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