AFP PHOTO / dpa / Kay Nietfeld
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Merkel e social-democratas chegam a acordo para formar governo na Alemanha

Chanceler alemã e líder social-democrata, Martin Schulz, confirmam pacto de princípios para formar governo e tirar Alemanha de bloqueio político sem precedentes; compromisso foi aprovado pela direção do SPD e será enviado à base do partido

O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2018 | 09h24
Atualizado 12 Janeiro 2018 | 12h40

BERLIM - A chanceler Angela Merkel e o líder social-democrata, Martin Schulz, confirmaram nesta sexta-feira, 12, que alcançaram um acordo de princípio para formar um governo que permita que a Alemanha saia de um bloqueio político sem precedentes, depois de mais de 24 horas de negociações.

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Os três partidos envolvidos recomendarão o início formal de negociações, após alcançar um acordo "sólido e sério", capaz de garantir a "governabilidade do país" durante toda a legislatura, afirmou a líder do bloco conservador em entrevista coletiva conjunta com Schulz e o presidente da União Social-Cristã da Baviera (CSU), Horst Seehofer.

Uma deputada da formação política da chanceler, Dorothee Bär, confirmou o acordo postando uma foto do documento no Twitter. Segundo o texto, o acordo prevê, entre outras medidas, limitar o número de refugiados a 200.000 por ano. Também, é citado um compromisso de reforçar a zona euro, o que faz parte das exigências marcadas pelos social-democratas do SPD.

Horas depois do anúncio de Merkel e Shulz, a direção SPD em seu conjunto aprovou o pré-acordo de governo e decidiu formar uma comissão encarregada de manter as negociações com os conservadores. A decisão ainda precisa, no entanto, ainda validada pela base do partido.

O pacto também será submetido às instâncias dirigentes dos outros dois partidos envolvidos na negociação, os democrata-cristãos (do CDU e do CSU).

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Este compromisso pode permitir que a primeira economia europeia saia de três meses e meio de bloqueio político. E Merkel, de 63 anos, assegura assim sua sobrevivência política, com um possível quarto mandato depois de 12 anos no poder.

Depois do fracasso em novembro para formar uma coalizão majoritária com os ecologistas e os liberais, a chanceler ficou sem margem erros se quisesse conservar as rédeas do país. Ela havia se declarado disposta a "encontrar um compromisso construtivo" com o SPD, mas sem ultrapassar algumas linhas vermelhas.

Nada definitivo

Mas nada ainda é definitivo. Por parte dos social-democratas, a decisão de entrar em um novo governo de coalizão com os conservadores ainda deve receber a luz verde dos delegados do partido durante um congresso extraordinário previsto para 21 de janeiro e cujo desenlace é incerto - os social-democratas haviam adotado em um primeiro momento ficar na oposição.

Depois, se conseguirem o sim, começarão as negociações detalhadas sobre um programa de coalizão. No caso de haver consenso, o novo executivo será investido no final de março, mas os sócios europeus da Alemanha já se mostram impacientes.

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A pressão do presidente alemão Frank-Walter Steinmeier, um peso pesado do SPD que quer evitar novas eleições que beneficiariam a ultradireita, obrigaram Schulz a mudar de opinião.

Depois, ante a dificuldade de se chegar a um acordo entre democrata-cristãos e social-democratas, Steinmeier ligou para os dois grupos determinando que superassem suas diferenças em nome do interesse nacional.

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Segundo vários meios de comunicação alemães, as negociações de longas horas giraram em torno de questões fiscais e política migratória. Iniciados há cinco dias, entraram na quinta-feira em sua última sessão.

A chanceler alemã jamais teve de negociar por tanto tempo sobre um tema, assinalou o jornal Die Welt: as negociações para a manutenção da Grécia na zona euro ou o Tratado de Paz de Minsk para a Ucrânia duraram apenas 17 horas.

Contexto desfavorável

As negociações transcorrem em um contexto desfavorável tanto para os democrata-cristãos como para os social-democratas, ambos punidos pelos eleitores nas legislativas de setembro, que foram marcadas pela entrada no parlamento da extrema direita do país.

Os dois somam uma pequena maioria de votos e Merkel obteve uma vitória com um resultado historicamente baixo. Uma maioria de alemães, 56%, acredita que a chanceler deixará o cargo antes do final de seu novo e eventual mandato, segundo uma pesquisa.

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Os conservadores e o SPD, que já governaram juntos em duas ocasiões durante os últimos 12 anos, prometeram "uma nova política" adaptada à época atual, apesar de suas grandes diferenças sobre determinados assuntos. 

Os de direita, em particular a CSU, que começou sua campanha para as eleições regionais de final de ano, exigiam um endurecimento da política migratória e uma redução limitada de impostos para todos.

O SPD defendia, por sua parte, uma flexibilização do reagrupamento familiar para os refugiados, investimentos em educação e em infraestruturas e um maior apoio às classes média e desfavorecida. / AFP e EFE

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