Reuters
Reuters

Merkel escapa de ataque com mísseis no Afeganistão

Chanceler alemã faz viagem surpresa ao país; ela deixou a base militar 20 minutos antes de ataque insurgente

Efe e Associated Press,

06 de abril de 2009 | 12h09

O acampamento do Exército alemão em Kunduz (norte do Afeganistão) foi atacado nesta segunda-feira, 6, com dois mísseis minutos após a visita da chanceler Angela Merkel, informou um porta-voz do Ministério da Defesa. Merkel fez uma visita surpresa para as tropas alemãs em missão no país.

 

O ataque, que não deixou feridos, aconteceu às 5h20 (de Brasília), 20 minutos depois de Merkel e o ministro da Defesa, Franz Josef Jung, terem deixado o local. A chanceler viajou ao Afeganistão em segredo, já que sua visita ao país só foi anunciada quando ela estava voando para ao país. Em Kunduz, onde nos últimos meses a violência voltou a crescer, o Exército alemão mantém 700 soldados.

 

Está foi a segunda viagem de Merkel ao país. Ela esteve no Afeganistão em novembro de 2007. A visita de Merkel ao Afeganistão aconteceu poucos dias depois da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte ), em Baden-Baden e Estrasburgo. Na ocasião, a chanceler afirmou que a Alemanha quer cumprir com sua parte na responsabilidade assumida no conflito, "a nível militar, na área de reconstrução civil e no treinamento policial".

 

Durante a visita, Merkel ainda pressionou o presidente afegão para que revise uma nova lei que, segundo os críticos, legaliza o estupro dentro do matrimônio. Um porta-voz da chanceler disse que ela não planejava se encontrar com os líderes do país em Cabul, mas falou no domingo por telefone com o presidente Hamid Karzai. Merkel "apelou urgentemente" para que Karzai revise "com muito cuidado" a nova lei, cujo objetivo é regular a vida familiar na minoria xiita afegã.

 

Merkel "deixou claro...que essa lei não corresponde com as ideias do governo e com as ideias pessoais dela em relação à igualdade entre homem e mulher", disse o porta-voz. Karzai disse que iria "se ocupar intensivamente do assunto", segundo o funcionário.

 

De acordo com um dos artigos regulando a frequência sexual entre casais xiitas, os maridos têm o direito de ter relações sexuais a cada quatro dias, a menos que a mulher esteja doente. O Fundo de Desenvolvimento da Mulher das Nações Unidas afirmou que a lei legaliza o estupro de uma mulher pelo seu marido. A medida foi também duramente criticada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. No sábado, Karzai disse que ela será revisada por especialistas e também por líderes religiosos. Porém ele reclamou que a mídia ocidental havia traduzido a lei incorretamente.

 

Sob o regime do Taleban, entre 1996 e 2001, as afegãs não podiam aparecer em público sem uma burca e um homem da família para acompanhá-las. Atualmente, milhões de meninas vão à escola no país e muitas mulheres trabalham.

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãoAlemanha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.