Krisztian Bocsi / Bloomberg
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Partido social-democrata alemão aprova aliança com Merkel, que governará país pela quarta vez

Chanceler comemorou o resultado e se disse satisfeita com a colaboração ‘pelo bem do nosso país’; 66,02% dos militantes do SPD votaram pela renovação da coalizão em um referendo que contou com a participação de quase 80% de seus 463 mil membros

Célia Froufe, correspondente / Londres, O Estado de S.Paulo

04 Março 2018 | 10h19
Atualizado 04 Março 2018 | 18h20

BERLIM - Após mais de cinco meses arrastados de negociações, a chanceler alemã, Angela Merkel, conseguiu neste domingo, 4, fechar uma "grande coalizão" para governar. O Partido Social Democrata (SPD), de centro-esquerda, aprovou a participação da legenda com os conservadores da União Social-Cristã (CSU) e da União Democrata-Cristã (CDU), da líder.

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A chanceler comemorou o resultado da votação interna do SPD. "Estou satisfeita com o prosseguimento da nossa colaboração pelo bem do nosso país", reagiu ela em um tuíte publicado pelo seu partido.

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O quarto mandato de Merkel, e provavelmente o último de acordo com os observadores, deve ser muito mais delicado do que os anteriores. A coalizão entre social-democratas e conservadores mantém apenas uma pequena maioria no Bundestag (53,5%) - o Parlamento alemão -, após as eleições gerais de 24 de setembro, marcadas por um avanço histórico da extrema direita e uma erosão dos partidos tradicionais, incluindo a CDU e CSU.

Depois de semanas de procrastinação, os militantes do SPD aprovaram a renovação da grande coalizão por 66,02% dos votos, em um referendo interno que contou com a participação de 78,4% de seus 463 mil membros, de acordo com os resultados oficiais anunciados nesta manhã.

Se a união não fosse obtida, possivelmente os alemães teriam de voltar às urnas para realizar novas eleições. Agora, a coligação deve passar pelo Bundestag. A expectativa é a de que o aval seja dado no dia 14.

Esta é a terceira vez que o SPD participa de uma coalizão de governo de Merkel (as outras foram as das legislaturas de 2005-2009 e 2013-2017). Na de 2009-2013 a chanceler governou com apoio do Partido Liberal. Mas Merkel, há 13 anos à frente do governo alemão, nunca havia passado por um impasse político tão grande. 

A longevidade da chanceler no cargo, somada a esse episódio, fez com que os especialistas em política europeia passassem a apontar o presidente francês, Emmanuel Macron, como a nova liderança do continente. O jovem líder tem mostrado fortes laços com a alemã desde que assumiu.

A diminuição de apoio à chanceler evidenciou que grande parte do eleitorado conservador, de cerca de um milhão de pessoas, votou no Alternativa para Alemanha (AfD) em setembro, um movimento de extrema direita contrário ao Islã, ao euro e à política de Merkel de receber imigrantes. A legenda obteve 12,6% dos votos e mostrou o crescimento de uma corrente já vista no Reino Unido, com a votação sobre o Brexit (saída dos britânicos da União Europeia).

Inicialmente, Merkel tentou formar uma coalizão com os liberais e o Partido Verde, mas as negociações fracassaram. Ela então se voltou para os social-democratas, que na noite da eleição anunciaram que iriam para a oposição e não participariam do governo Merkel.

Quando o SPD passou a negociar um governo, a mudança não foi muito bem recebida pela base, que preferia ser oposição. Mas, após um amplo debate interno, o partido optou por continuar na situação.

Os desafios estão se acumulando para Merkel, que atua há mais de cinco meses com a União Europeia à procura de liderança em questões econômicas e de segurança, em busca de um parceiro para os ambiciosos planos de reforma da UE de Macron. 

França

Emmanuel Macron elogiou a decisão na Alemanha e a qualificou como “boa notícia para a Europa”.

“O presidente da República se alegra pelo resultado do voto do SPD. É uma boa notícia para a Europa”, afirmou Macron, segundo um comunicado da presidência francesa. “A França e a Alemanha trabalharão juntas, nas próximas semanas, para desenvolver novas iniciativas e fazer avançar o projeto europeu”, indicou a nota. 

Para lembrar

No dia 24 de setembro, cerca de 6 milhões de eleitores apoiaram um partido xenófobo de extrema direita, muitos em protesto contra as políticas de Angela Merkel para refugiados. O Alternativa para a Alemanha (AfD), que não tinha representação no Parlamento alemão, tornou-se a terceira maior força no Bundestag. Foi fundada em 2013 por conservadores, muitos ex-membros da CDU frustrados com a mudança de rumo das políticas. Após a chegada de quase 1 milhão de imigrantes à Alemanha, a retórica da AfD tornou-se mais nacionalista e até mesmo racista. / com AFP e EFE

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