Syrian government TV, via AP
Syrian government TV, via AP

Para França e Alemanha, Assad é 'único responsável' por ataque dos EUA

Governos dos dois países manifestam-se mais uma vez em favor de uma 'transição política' na Síria e pela punição de Bashar Assad por crimes de guerra; premiê britânica, Theresa May, diz que decisão americana foi 'resposta apropriada'

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2017 | 09h51
Atualizado 07 Abril 2017 | 11h17

PARIS - Os governos da França e da Alemanha publicaram nota conjunta nessa sexta-feira, 7, sobre o ataque dos Estados Unidos a instalações militares na Síria, em retaliação ao uso de armas químicas pelo regime de Bashar Assad. Segundo o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, o líder sírio é "o único responsável" pela ofensiva americana que deixou ao menos 9 civis mortos. Em agosto de 2013, o chefe de Estado francês renunciou no último momento a lançar uma operação militar contra o regime sírio após a primeira utilização de armas químicas na guerra. 

Em comunicado conjunto, o Palácio do Eliseu e a chancelaria alemã informam que os dois principais líderes políticos da União Europeia se reuniram por teleconferência na manhã desta sexta-feira para tratar da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de autorizar os disparos contra as instalações sírias. "Após o massacre químico perpetrado em 4 de abril em Khan Shikhoun, no noroeste da Síria, uma instalação militar do regime sírio utilizada para os bombardeios químicos foi destruída nessa noite por disparos americanos. Nós fomos informados por antecipação", informaram Hollande e Merkel.

Para os chefes de Estado e de governo, "Assad tem inteira responsabilidade por esse desdobramento". "Seu recurso contínuo às armas químicas e aos crimes de massa não podem permanecer impunes. É o que a França havia pedido no verão de 2013, no dia seguinte ao ataque químico de Ghouta", afirma a nota. O episódio se refere à decisão de François Hollande de tomar a iniciativa de uma intervenção militar do Ocidente, desde que acompanhada dos aliados históricos, Reino Unido e Estados Unidos. 

Na oportunidade, o governo francês acabou isolado, com a decisão do então primeiro-ministro britânico, David Cameron, de consultar o Parlamento antes do ataque, e com o recuo do então presidente americano, Barack Obama. Após considerar os ataques químicos como uma "linha vermelha" na guerra da Síria, o democrata acabou cedendo à rejeição da opinião pública, contrária a uma nova intervenção militar no Oriente Médio.

"A França e a Alemanha continuarão seus esforços com seus parceiros nas Nações Unidas para sancionar da forma mais apropriada os atos criminais ligados à utilização de armas químicas proibidas por todos os tratados", informam Paris e Berlim. 

O texto termina com um novo pedido de solução política da crise e pela retirada de Assad do poder. "Nós apelamos à comunidade internacional a se unir em favor de uma transição política na Síria, conforme à resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU e ao comunicado de Genebra.

O gabinete da primeira-ministra britânica, Theresa May, também reagiu ao ataque e disse ter sido informado com antecedência pelos EUA sobre a decisão de bombardear a base síria. Londres apoiou a decisão, considerada uma "resposta apropriada ao bárbaro ataque com armas químicas lançado pelo regime sírio" e afirmou que a medida tem como objetivo "deter futuros ataques (de Assad)".

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, também concordou com a avaliação de Merkel, Hollande e May, e ressaltou que Assad "tem total responsabilidade" pelos ataques dos Estados Unidos contra uma base aérea na Síria. "O governo sírio tem total responsabilidade por essa consequência", disse Stoltenberg em comunicado.

"Qualquer uso de armas químicas é inaceitável, não pode ficar sem resposta, e os responsáveis devem ser responsabilizados", disse Stoltenberg, que foi informado com antecedência pelo secretário da Defesa dos EUA sobre a decisão tomada por Washington.

Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que o ataque americano mostra a postura determinada do Ocidente contra ataques químicos. "A intervenção militar dos Estados Unidos mostra uma determinação necessária contra os violentos ataques químicos. A União Europeia vai trabalhar com os EUA para acabar com a brutalidade na Síria", escreveu Tusk em sua conta no Twitter. / COM EFE, REUTERS e AP

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