Tobias Schwarz/AFP
Tobias Schwarz/AFP

Política migratória trava plano de Merkel para formar governo

Chanceler diz que Alemanha precisa de governo estável, mas facção à direita de sua coalizão dificulta acordo

O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2018 | 18h46

BERLIM - A chanceler alemã, Angela Merkel, demonstrou otimismo neste domingo, 7, sobre as chances de poder formar um governo na Alemanha e tirar o país do impasse político. Seu partido, a União Democrata-Cristã ( CDU), deu início a cinco dias de negociações com os social-democratas do SPD. “Acredito que podemos alcançar um acordo para formar um governo estável diante dos desafios internacionais e europeus”, disse Merkel. 

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As eleições legislativas de setembro, marcadas pelo auge da extrema direita e um retrocesso dos grandes partidos, não deram nenhuma maioria clara na Câmara dos Deputados.

A chanceler e seu partido, o democrata-cristão, tentaram em um primeiro momento formar governo com os liberais e os ecologistas, mas não alcançaram nenhum acordo.

Só lhe resta a opção de fazer aliança com o partido social-democrata SPD, com o qual Merkel já governou anteriormente (2013-2017).

As consultas devem ser difíceis, especialmente pelas divergências entre o CSU, partido aliado da chanceler mais à direita que o CDU, e o SPD no que diz respeito à política migratória e a Europa. <IP9,0,0>Horst Seehofer, presidente do CSU disse que é necessário buscar um consenso. 

O CSU enfrenta uma eleição na Bavária em abril e se arrisca a perder a maioria frente o avanço da extrema direita da Alternativa para Alemanha (AfD). Seus dirigentes pediram reiteradamente que endureçam a política de acolhida de solicitantes de refúgio. Ao contrário, o SPD deseja a flexibilização da política para os migrantes, em particular sobre o reagrupamento familiar.

A questão da integração europeia constitui outra fonte de discórdia. O líder do SPD, Martin Schulz - ex-presidente do Parlamento Europeu - defende a criação dos “Estados Unidos da Europa” e apoia os projetos de reforma da eurozona do presidente francês, Emmanuel Macron, com um orçamento próprio e um ministro das Finanças europeu. 

O CDU de Merkel e o CSU se mostraram muito mais céticos sobre este tema. “Ainda há muito a ser feito”, reconheceu o negociador democrata-cristão Volker Bouffier.  O SPD está muito dividido sobre o que fazer. Após sua derrota nas urnas, muitos de seus membros prefeririam uma etapa na oposição.

“O fim segue em aberto para nós”, assinalou um dos negociadores social-democratas, Michael Groschek, em um sinal de que os socialistas podem não ceder. /AFP

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