EFE/Clemens Bilan
EFE/Clemens Bilan

Merkel muda de posição e abre possibilidade de casamento gay ser legalizado na Alemanha

Em entrevista à revista feminina 'Brigitte', a mais vendida do país, chanceler alemã se mostrou pela primeira vez disposta a permitir que os deputados de seu partido votem de acordo com a 'própria consciência' sobre o assunto

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 17h16

BERLIM - A chanceler alemã, Angela Merkel, mudou sua posição e deixou em aberto a possibilidade o casamento gay ser legalizado no país diante da forte pressão social e política e a poucos meses das eleições legislativas, marcadas para 24 de setembro.

Em uma entrevista à revista feminina "Brigitte", a mais vendida do país, Merkel se mostrou pela primeira vez disposta a permitir que os deputados de seu partido conservador votem de acordo com a “própria consciência” sobre a questão do matrimônio homossexual.

“Desejo orientar as discussões (sobre o tema) em uma direção que tenha a ver com a decisão de consciência ao invés de querer impor o que quer que seja”, disse a chanceler durante a entrevista realizada ao vivo, na segunda-feira, em um teatro de Berlim.

Em 2013, Merkel havia se oposto ao casamento gay em razão de seu temor pelo “bem-estar das crianças” nas famílias alemãs. Agora, sua mudança de opinião abre caminho para uma possível legalização já que alguns deputados de seu partido, a União Democrática Cristã (CDU), são defensores do casamento gay e seus votos se somariam aos dos demais partidos representados no Parlamento alemão que defendem o casamento gay.

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SDP), cujo líder Martin Schulz é o principal rival de Merkel na votação legislativa, aproveitou a declaração da chanceler para pedir que o Legislativo vote o quanto antes uma lei sobre o tema e disse que pode inscrever o assunto na ordem do dia ainda nesta semana.

A ideia é aproveitar a votação para encurralar o CDU e tentar recuperar terreno na campanha eleitoral, cujas pesquisas mais recentes apontam para uma ampla vitória do partido governista. Muitos membros do CDU, no entanto, veem com bons olhos que a votação seja realizada rapidamente. Stefan Kaufmann, por exemplo, chamou a declaração de Merkel sobre o casamento gay de “palavras libertadoras”.

O tema, no entanto, ainda deve causar bastante pressão sobre a chanceler, especialmente da ala mais conservadora de seu partido e de seu aliado, a União Social-Cristã na Baviera (CSU), muito mais tradicionalista e contrária  ao casamento gay.

De acordo com a imprensa alemã, no entanto, Merkel e o líder da CSU, Horst Seehofer, já discutiram o assunto na semana passada e chegaram a um acordo antes  da apresentação, na segunda-feira, da plataforma comum dos dois partidos.

Motivos políticos. A mudança de opinião da chanceler alemã teria sido motivada, principalmente, por questões políticas: a maioria dos partidos na Alemanha transformou o casamento gay em um tema-chave de suas campanhas.

O SPD e Partido Democrático Liberal (FDP, na sigla em alemão) - de centro-direita -, os dois que têm mais chance de governar junto dos conservadores colocaram esta questão como indispensável para formar uma coalizão com Merkel.

A Alemanha é um dos poucos países ocidentais que ainda não legalizou o casamento gay - a capital Berlim, porém, adotou em 2001 uma lei que permite a união civil e iguala os direitos aos dos casais heterossexuais, exceto em assuntos fiscais.

Uma pesquisa feita no ano passado pela Agência Federal Antidiscriminação da Alemanha apontou que 83% dos cidadãos do país são favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e 95% acreditam ser bom que gays e lésbicas sejam legalmente protegidos contra a discriminação. A mesma pesquisa também indicou que 20% dos alemães consideram, no entanto, que a homossexualidade não é algo “natural”. / AFP e FOREIGN POLICY 

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