Merkel não obteve vitória clara em debate eleitoral

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, não conseguiu uma vitória clara no primeiro e único debate televisionado com seu principal adversário, segundo pesquisas de opinião feitas com espectadores, mas ela continua sendo favorita para vencer as eleições de 22 de setembro.

STEFÂNIA AKEL, Agência Estado

01 Setembro 2013 | 20h33

Peer Steinbrück, candidato a chanceler pelo Partido Social Democrata (SDP), levou a melhor no debate, com 49% dos entrevistados afirmando que ele foi "mais convincente", segundo pesquisa da rede de televisão pública ARD. Cerca de 44% dos entrevistados, por outro lado, disseram que a vitória foi de Merkel. Entre os eleitores ainda indecisos, 54% avaliaram a performance de Steinbrück como superior.

No entanto, uma pesquisa separada da rede de televisão ZDF, também pública, mostrou que Merkel venceu o debate, com 40% dos entrevistados concedendo a ela a vitória, enquanto 33% preferiram Steinbrück.

Apesar de os levantamentos apontarem resultados diferentes sobre quem ganhou o debate, há um amplo acordo nas análises das pesquisas de que Steinbrück teve uma performance melhor do que muitos eleitores esperavam. O resultado pode dar à sua campanha um necessário impulso, mas, com somente três semanas até o pleito e com o partido de Merkel na vantagem por cerca de 15 pontos porcentuais nas pesquisas, muitos analistas acreditam que o melhor que o SDP pode esperar é um segundo lugar.

Apesar de Steinbrück, ex-ministro de Finanças, abordar melhor assuntos complexos, ele não conseguiu ser páreo ao forte apelo de Merkel junto aos eleitores. Essa dinâmica se confirmou hoje, com a maioria dos espectadores afirmando que acharam Merkel mais carismática do que seu adversário. Somente 10% dos entrevistados pela ARD disseram que o debate os fez mudar de ideia sobre em quem votar.

Histórico

Steinbrück tentou criticar o histórico de Merkel em segurança nacional, política do euro e justiça social durante o debate de 90 minutos, mas a retórica utilizada por Merkel foi uma que tem o apoio de muitos eleitores: comparada ao resto do mundo, a Alemanha está muito bem. "O que realizamos nos últimos quatro anos é relativamente sensacional", disse Merkel.

Algumas das mais fortes críticas do social-democrata foram dirigidas à política de Merkel envolvendo profundos cortes orçamentários em países da zona do euro como a Grécia, em troca de ajuda da Alemanha e outros credores. Ele argumentou que a chanceler ajudou a criar um "círculo vicioso" de dor econômica nesses países.

Mas as políticas de Merkel relacionadas ao restante da Europa são amplamente vistas de forma positiva pelos eleitores alemães, que estão nervosos com a quantidade de dinheiro dos contribuintes que foi colocada em risco nos resgates à Grécia e ao Chipre.

Apesar das controvérsias, a posição de Merkel nas pesquisas só vem melhorando. Mesmo sua coalizão de centro-direita, considerada morta alguns meses atrás, agora parece ter forte chances de ser reeleita. As últimas pesquisas indicam a reeleição sendo tão provável quanto um resultado que leve à formação de uma "grande coalizão" entre o SDP e o partido de Merkel. Em ambos os cenários, ela continuaria sendo a chanceler.

Merkel mostrou calma e firmeza no debate. Quando, por exemplo, Steinbrück a criticou por não ter protegido os interesses alemães na polêmica da espionagem dos EUA, ela respondeu: "Senhor Steinbrück, eu não ajo primeiro e deixo para pensar depois. Eu faço o contrário". Fonte: Dow Jones Newswires.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.