Merkel pede à Grécia que implemente reformas

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse hoje que a Grécia precisa cumprir suas promessas de reformas econômicas se quiser receber nova ajuda financeira, sinalizando uma postura de não comprometimento à medida que as negociações entre Atenas e credores internacionais entram na reta final.

Estadão Conteúdo

18 de junho de 2015 | 06h25

Merkel, porém, voltou a reiterar que a Alemanha quer manter a Grécia na zona do euro.

"Onde há vontade, há um caminho", disse Merkel, em discurso à câmara baixa do Parlamento, antes da reunião de cúpula de líderes da União Europeia prevista para a semana que vem. "Se aqueles que estão no poder na Grécia tiverem essa vontade, um acordo com as três instituições ainda é possível", acrescentou, referindo-se aos credores de Atenas, que incluem a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A expectativa é que o impasse entre a Grécia e credores chegue a um estágio crucial durante a cúpula da UE do próximo dia 25, mas talvez até antes disso. Hoje, os ministros de Finanças da zona do euro - que formam o Eurogrupo - realizam seu encontro mensal, em Luxemburgo, e a questão grega será um dos principais assuntos em debate.

O tempo está se esgotando para a Grécia, uma vez que a parte da zona do euro no pacote de ajuda de Atenas, que tem valor total de 245 bilhões de euros, vence no dia 30. Na mesma ocasião, a Grécia tem cerca de 1,6 bilhão de euros em dívidas a pagar ao FMI. Sem um novo acordo com os credores, os gregos estarão sujeitos a decretar moratória e, em última instância, abandonar a zona do euro.

Merkel lembrou que, em fevereiro, o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras fechou um compromisso com os credores para ter acesso aos 7,2 bilhões de euros restantes do programa de ajuda. "O governo grego se comprometeu a fazer reformas estruturais de longo alcance", disse a chanceler. "Essas (reformas) devem ser implementadas agora de forma decisiva."

Segundo Merkel, a exemplo de outros países da zona do euro que receberam ajuda, a Grécia está na trajetória certa, embora não tenha chegado ainda a seu destino final.

"Infelizmente, algumas reformas necessárias foram adiadas mais de uma vez", disse Merkel, levando os parlamentares alemães a aplaudi-la. Ela afirmou ainda que a Europa é "mais robusta" hoje e tem melhores condições de lidar com a crise grega.

Atenas tem a esperança de conseguir amenizar as exigências de reformas feitas pelos credores para liberar auxílio financeiro adicional. Fonte: Dow Jones Newswires.

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