Merkel pede que União Européia supere crise constitucional

A chanceler alemã e atual presidente da União Européia (UE), Angela Merkel, fez neste sábado, 24, um apelo para que haja um esforço conjunto dos 27 países membros para acabar com a crise constitucional do bloco.Segundo Merkel, o fim da crise poderia permitir ao bloco ganhar capacidade de manobra.Em mensagem de vídeo gravada por conta do início das comemorações do 50º aniversário do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Européia (CEE), a chefe do governo alemão acrescentou que a definição de uma política externa comum deve ser a nova tarefa da comunidade ao longo dos próximos anos."Temos a missão de explicar aos cidadãos da Europa, até o próximo pleito europeu, em 2009, como nós imaginamos uma União Européia renovada e com capacidade de ação", afirmou Merkel na mensagem divulgada pouco antes do início das comemorações, em Berlim, que contaram com a presença dos chefes de Estado e governo da UE.Apesar do ceticismo de países como Polônia, República Tcheca, Grã-Bretanha e Holanda, a presidente rotativa do bloco se mostrou empenhada em levar adiante um tratado constitucional para toda a União Européia."Devemos dizer ao povo qual vai ser nosso caminho antes das próximas eleições européias", frisou Merkel.A chefe do governo alemão aproveitou a ocasião para ressaltar que "leva muito a sério as opiniões dos diferentes países do bloco", e assegurar que sempre terá em mente a opinião de todos.Junto ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e o do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, Merkel assinará amanhã, em um ato solene, a chamada Declaração de Berlim, na qual se definem os princípios, valores, objetivos e metas da UE.No entanto, a declaração de Merkel não aborda uma futura Constituição da União Européia. A única referência ao tema foi no sentido de "dotar a UE de fundamentos comuns renovados, de hoje até as eleições para o Parlamento Europeu, em 2009".O discurso da chanceler também não abordou as propostas de socialistas e conservadores europeus, que, após reuniões com os respectivos líderes dos partidos em Berlim, deram declarações em que citaram o projeto de uma Constituição para a Europa.Enquanto o documento do Partido Popular Europeu se restringe a pedir a melhoria da capacidade de manobra da UE, com o aumento da "democracia, transparência e eficácia", o Partido Socialista Europeu exige um maior desenvolvimento da política social, e critica os conservadores pela incapacidade de chegar a acordos globais.As festividades tiveram início nesta tarde, com um concerto da Filarmônica de Berlim, presenciado pelos líderes políticos dos 27 países membros, que se uniram para ver Simon Rattle dirigir a orquestra de maior prestígio da Alemanha.Os chefes de Estado e governo da Europa jantarão esta noite no Palácio de Bellevue, sede da Presidência alemã, recepcionados pelo presidente do país, Horst Köhler.Os atos solenes de comemoração do 50º aniversário do Tratado de Roma ocorrerão neste domingo, na sede do Museu Histórico, com a assinatura da Declaração de Berlim, que será acompanhada de vários discursos e apresentações musicais a cargo da Orquestra Juvenil Européia.A foto oficial dos líderes será feita diante do Portão de Brandeburgo, símbolo arquitetônico da antiga divisão alemã e européia, e atual expressão da unidade continental e do encontro Leste-Oeste, e será seguida por um almoço de trabalho que concluirá a reunião.Para a população, as comemorações começarão neste sábado, com a chamada "Longa noite da Beleza", que deixará abertas as portas dos principais museus da cidade até a madrugada, e a "Noite dos Clubes", durante a qual uma centena de DJs e grupos procedentes de todos os países do bloco se apresentarão em mais de 30 locais.No domingo, a avenida que parte do Portão de Brandeburgo rumo ao parque de Tiergarten ganhará tendas que representarão cada um dos 27 países membros da UE, e nas quais será possível desfrutar o folclore e a gastronomia das nações.

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