Merkel pede resolução conjunta da ONU sobre a Síria

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, pediu nesta quarta-feira uma resolução conjunta da Organização das Nações Unidas (ONU) que interrompa a violência cada vez maior na Síria. Seus comentários vêm em resposta ao ataque de hoje que matou o ministro da Defesa sírio, Dawoud Rajha, e seu vice, general Assef Shawkat (que também é cunhado do presidente Bashar Assad), em Damasco, capital da Síria.

AE, Agência Estado

18 de julho de 2012 | 10h54

Observadores alertam que o conflito na Síria caminha para uma guerra civil, ameaçando espalhar-se por toda a região. "Eu posso ver que este não é o caminho para se chegar a uma solução", afirmou Merkel para jornalistas em entrevista à imprensa em Berlim. "É por isso que conclamo todos os membros do Conselho de Segurança da ONU para que cheguem a um consenso quanto a uma resolução conjunta."

O Conselho de Segurança deve votar uma resolução sobre a Síria ainda nesta quarta-feira, mas diante da oposição de China e Rússia seus integrantes ainda não chegaram a um acordo quanto ao rascunho de resolução. "Toda a comunidade internacional precisa trabalhar junta para seguir adiante com este processo", disse Merkel.

A posição de Berlim é a mesma do Reino Unido. Nesta quarta-feira, o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que o ataque contra o prédio da Segurança Nacional, ocorrido durante um encontro entre ministros e autoridades do regime do presidente Bashar Assad, mostra a necessidade de uma resolução conjunta da ONU. "Este incidente, que condenamos, confirma a urgência de uma resolução sob o Capítulo 7 da Carta da ONU", afirmou Hague.

A inclusão do Capítulo 7, no entanto, é um dos pontos de discórdia dentro do Conselho de Segurança. Moscou é veementemente contra qualquer menção ao Capítulo 7, que poderia eventualmente permitir o uso de força para encerrar o conflito.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, reiterou nesta quarta-feira que é contra a resolução defendida pelos países Ocidentais. "Uma batalha decisiva está em progresso na Síria. Adotar a resolução significaria apoio imediato a um movimento revolucionário", disse Lavrov, referindo-se à oposição armada que tenta derrubar Assad. "E, se estamos falando de uma revolução, então a ONU não tem nada com isso."

Os Estados Unidos dizem buscar apenas medidas econômicas, mas a Rússia teme que as cláusulas que preveem o uso de força sejam invocadas caso o regime sírio não cumpra as sanções. "Nós não podemos aceitar o Capítulo 7", Lavrov afirmou a jornalistas. "Ao invés de tentar acalmar a oposição, alguns parceiros estão forçando a escalada da violência", disse o ministro, referindo-se ao Ocidente.

As forças rebeldes sírias assumiram a responsabilidade pelo ataque de hoje. No entanto, seu comandante, Riad al-Asaad, nega as alegações da TV estatal da Síria que diz que foi um ataque suicida. Segundo ele, todos que realizaram a operação estão seguros.

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse que os acontecimentos em Damasco mostram a necessidade de uma transição de poder "urgente" na Síria. As informações são da Dow Jones e Associated Press.

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