Britta Pedersen / dpa / AFP
Britta Pedersen / dpa / AFP

Merkel perde força após líder dos social-democratas renunciar

Contestada por parte do SPD, Andrea Nahles deixa cargo, renuncia ao mandato e coloca em risco coalizão de governo

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2019 | 20h44

BERLIM - A líder do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha anunciou sua renúncia neste domingo, 2, após a derrota nas eleições europeias, o que enfraqueceu ainda mais a coalizão de governo da chanceler Angela Merkel, cujo partido União Democrata-Cristã (CDU) também enfrenta dificuldades a poucos meses das eleições regionais.

Andrea Nahles recebeu fortes críticas após o péssimo resultado do SPD na votação para o Parlamento Europeu, há duas semanas, quando o partido registrou o mínimo histórico, ao receber apenas 15% dos votos, ficando atrás dos Verdes (20%).

“As discussões dentro da bancada parlamentar e as muitas reações do partido mostraram que não conto mais com o apoio necessário para exercer minhas funções”, afirmou Andrea em um comunicado.

Desta maneira, a primeira mulher a liderar o SPD abriu mão do cargo, dois dias antes de uma votação interna que decidiria seu destino. Ela também renunciou ao cargo de deputada, informou um porta-voz do partido.

A saída de Andrea, que desde que assumiu o cargo teve que suportar críticas e a perseguição dos rivais dentro do partido, que desejavam que o SPD abandonasse a coalizão de governo, pode acelerar a decomposição do Executivo.

Merkel prometeu que o governo continuará normalmente, apesar do revés no SPD. “Quero dizer em nome do governo que continuaremos com nosso trabalho com toda seriedade e com grande responsabilidade”, afirmou a chanceler.

Muitas figuras do SPD defendem o fim da aliança formada com a CDU, o que poderia forçar a realização de eleições antecipadas e o fim prematuro do governo da chanceler, que tem mandato até 2021.

Os social-democratas haviam programado tomar uma decisão sobre a questão em setembro, na metade do mandato de Merkel, por ocasião de eleições regionais delicadas em três pontos da antiga Alemanha Oriental. Nestas regiões, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) espera ter o dobro de votos do partido de Merkel.

Voltar à oposição

A coalizão de governo, conhecida como “GroKo”, formada em 2018 apesar da rejeição de parte do SPD, que enfrentou diversas crises nos últimos meses, parece mais ameaçada do que nunca. A situação é admitida até mesmo por alguns de seus defensores.

“Aos que comemoram sua saída: é uma grande perda para a política alemã. (Andrea) Nahles defendia a existência da GroKo, cuja estabilidade está agora em questão”, lamentou Harald Christ, vice-presidente do fórum econômico do SPD.

A vontade de voltar à oposição ganhou força dentro do partido mais antigo da Alemanha desde o catastrófico resultado nas legislativas de 2017.

Um dos nomes mais importantes do partido, Olaf Scholz, vice-chanceler e ministro das Finanças, afirmou à imprensa que a GroKo não deveria ser repetida depois de 2021, pois “três grandes coalizões consecutivas não beneficiam a democracia alemã”.

A CDU expressou preocupação a respeito e afirmou que vai refletir sobre como seria possível manter a atual coalizão. Mas sua líder, Annegret Kramp-Karrenbauer, que substituiu Merkel há um ano à frente do partido e é considerada uma possível sucessora da chanceler no comando do país, também enfrenta momentos difíceis após as eleições europeias, vencidas pela CDU, mas com seu menor índice de votos na história das votações continentais.

Enquanto isso, o Partido Verde mantém sua ascensão. Uma pesquisa divulgada no sábado mostrou a formação pela primeira vez na liderança das intenções de voto a nível nacional com 27%, à frente da CDU, que apareceu com 26% e do SPD, preferência de apenas 12% do alemães. / AFP e EFE

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