Merkel quer que Obama esclareça espionagem

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, vai pedir esclarecimentos ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre um recém-revelado programa norte-americano de espionagem eletrônica dedicado a, entre outras coisas, coletar dados de estrangeiros engajados em atividades "suspeitas".

AE, Agência Estado

10 Junho 2013 | 18h56

Em Bruxelas, enquanto isso, autoridades da União Europeia (UE) manifestaram hoje a intenção de aproveitar uma reunião ministerial transatlântica prevista para começar na quinta-feira em Dublin para questionar seus homólogos norte-americanos sobre o impacto do programa Prism sobre a privacidade de cidadãos europeus.

O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, disse a jornalistas nesta segunda-feira que Merkel questionará Obama sobre a atuação da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) quando o norte-americano visitar Berlim na semana que vem.

O escândalo de espionagem tem potencial para atrapalhar uma reunião de cúpula prevista para o dia 18 e por meio da qual os dois líderes pretendem reafirmar os fortes laços entre EUA e Alemanha. Será a primeira visita oficial de Obama a Berlim desde sua chegada à Casa Branca.

Obama tem saído em defesa de uma série de programas secretos de espionagem que recentemente vieram a público como "necessários para defender os EUA do terrorismo".

Na semana passada, os jornais The Washington Post e The Guardian revelaram a existência de um programa secreto da NSA apelidado de Prism. O programa foi descrito como uma meio de dar acesso direto à NSA e ao FBI aos servidores operados por empresas de tecnologia que incluem Google, Apple, Facebook, Yahoo, Microsoft e Skype.

O programa vasculha e-mails, conversas em vídeo pela internet, mensagens instantâneas e outros tipos de comunicação, com o alegado objetivo de localizar estrangeiros suspeitos de "terrorismo" ou espionagem. A NSA também coleta registros telefônicos de milhões de usuários norte-americanos.

Na sexta-feira, Obama qualificou a invasão de privacidade como "modesta" e assegurou que "ninguém está ouvindo os telefonemas".

Os comentários de Obama, no entanto, pouco serviram para aplacar as preocupações da Alemanha e de outros países europeus que rotineiramente recorrem aos serviços de tráfego de voz e dados de sites baseados nos EUA.

As leis europeias de privacidade são mais avançadas que as dos EUA e seus cidadãos costumam defender esse direito com muito mais vigor.

O Ministério de Interior da Alemanha já está em contato com autoridades norte-americanas para determinar se a espionagem infringiu a privacidade de cidadãos alemães.

Em Londres, o secretário de Exterior do Reino Unido, William Hague, tentou acalmar o Parlamento em relação a informações segundo as quais o governo britânico teria usado informações fornecidas pelos norte-americanos para contornar as leis britânicas. Segundo ele, tal alegação "carece de fundamento".

Ontem, o jornal londrino The Guardian identificou a fonte do vazamento de informação como Edward Snowden, um norte-americano de 29 anos que trabalhava como terceirizado na NSA. A revelação da identidade, segundo o Guardian, foi feita a pedido do próprio Snowden. Fonte: Associated Press.

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