AFP PHOTO / DPA / Michael Kappeler
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Merkel reconhece profundas divergências nas negociações para formar coalizão

Chanceler alemã negocia com aliados bávaros (CSU), liberais do FDP e Verdes para evitar convocação de eleições antecipadas - medida que poderia favorecer o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD); prazo expira nesta quinta

O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 12h13

BERLIM - A chanceler Angela Merkel reconheceu nesta quinta-feira, 16, a existência de "divergências profundas" entre conservadores, liberais e ecologistas que tentam chegar a um compromisso para formar um governo na Alemanha, medida sem a qual o país poderia ser obrigado a convocar eleições antecipadas.

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"Há divergências, diferenças profundas (...) é um trabalho difícil, um trabalho muito complicado", disse aos jornalistas antes do último dia de negociações, quase dois meses depois das eleições legislativas que não resultaram em uma maioria absoluta.

"Acredito que podemos conseguir, eu tenho a vontade de conseguir, mesmo sendo um trabalho difícil", completou Merkel, demonstrando otimismo.

Depois de semanas de negociações a portas fechadas, marcadas por disputas e ataques públicos recíprocos, os conservadores de Merkel (CDU), seus aliados bávaros (CSU), os liberais do FDP e os Verdes não chegaram a nenhum acordo sobre os temas mais polêmicos.

Para entender: Alternativa para a Alemanha, o partido de extrema-direita no Bundestag

Tanto na tributação alemã como na reforma da União Europeia (UE), os objetivos climáticos ou na política migratória, os partidos defendem posições às vezes diametralmente opostas.

"Em quase todos os pontos há diferenças", admitiu na noite de quarta-feira Wolfgang Kubicki, um dos negociadores do FDP. "Um furacão passa neste momento sobre a Jamaica", completou, brincando com o nome dado para o projeto de coalizão em razão das cores dos três grupos - preto, amarelo e verde de conservadores, liberais e ecologistas, respectivamente.

Merkel, que busca o quarto mandato de chanceler consecutivo, estabeleceu a data limite de 16 de novembro para chegar a um acordo de princípio para a formação do próximo governo nas negociações preliminares.

Se a meta for alcançada - e as conversações podem continuar até a noite - terá início uma negociação para um "contrato de coalizão", que até o fim de ano deve definir a composição do Executivo e estabelecer um programa de governo detalhado.

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Em caso de fracasso, e sem maioria alternativa na Câmara Baixa do Parlamento, é provável que sejam convocadas eleições antecipadas nas próximas semanas. Neste caso, Merkel não tem a garantia de seguir na liderança de seu grupo político. 

Além disso, há o temor de que uma nova votação possa ser ainda mais favorável para o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que conquistou 13% dos votos em setembro - um resultado histórico. / AFP e REUTERS

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