Merkel reitera que espionagem dos EUA é inaceitável

A chanceler alemã Angela Merkel reiterou neste sábado que a espionagem dos Estados Unidos contra um aliado próximo é inaceitável, mas que não há alternativa aos fortes laços entre Berlim e Washington.

Agência Estado

12 Julho 2014 | 16h25

"Nós queremos esta cooperação com base na parceria", disse ela em entrevista à emissora pública ZDF, que irá ao ar no domingo. "Mas temos ideias diferentes e parte delas é que não espionamos uns aos outros."

Berlim será "persistente" em passar esta mensagem aos Estados Unidos, afirmou Merkel, na medida em que a controvérsia com Washington sobre espionagem se intensificou com a expulsão de um importante espião norte-americano em Berlim.

Na quinta-feira, o governo alemão disse ao chefe do escritório em Berlim da Agência Central de Inteligência (CIA) deveria sair do país em meio a investigações da promotoria alemã sobre dois funcionários do governo da Alemanha, suspeitos de espionar para os Estados Unidos.

A questão prejudicou a relação, tradicionalmente próxima, entre Berlim e Washington. As tensões entre os dois aliados não eram tão altas desde 2003, quando a Alemanha se opôs a ação militar norte-americana no Iraque.

Merkel disse que "não há base para confiança" se não ficar claro quem está trabalhando para cada lado. Ela afirmou que não há garantias de que Washington vá alterar sua política de serviços de inteligência.

"Não posso prever isso, mas obviamente eu espero que algo mude", declarou. "Eu acredito que a coisa mais importante é que digamos como entendemos a situação."

Merkel e o principal diplomata alemão, o ministro de Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier, expressaram diversas vezes sua irritação com as ações de espionagem de Washington nos últimos dias.

Perguntada se a questão já havia resultado em consequências diretas, como a limitação da cooperação dos serviços de inteligência ou se levaria à interrupção da Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), entre Europa e Estados Unidos, como alguns integrantes do Legislativo sugeriram, Merkel disse que não.

"Não acredito nisso, tenho de dizer com muita franqueza. Temos opiniões diferentes no que diz respeito aos serviços de inteligência, mas em outros campos políticos, como o acordo de livre-comércio, são absolutamente de nosso interesse", declarou a chanceler. "Nós, como uma nação exportadora, nos beneficiamos do acordo de livre-comério...assim como os norte-americanos, se não de forma equilibrada, um pouco mais." Fonte: Dow Jones Newswires.

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