Wolfgang Kumm/Efe
Wolfgang Kumm/Efe

Merkel sofre derrota em eleição no mais importante Estado da Alemanha

Há sete anos, derrota no estado forçou eleições antecipadas, que elegeram a chanceler

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

14 Maio 2012 | 03h03

GENEBRA - Em um espelho do debate que toma conta da Europa, o eleitorado alemão rejeitou neste domingo, 13, as medidas de austeridade econômica e a chanceler Angela Merkel sofreu uma dura derrota na eleição local do Estado de Renânia do Norte-Vestfália, o mais importante do país.

O resultado das eleições de ontem aumentam a pressão e o questionamento sobre sua política de cortes de gastos. A votação foi a última antes da eleição geral, em 2013, e considerada como um importante teste para medir a popularidade de Merkel.

A crise na Europa já causou a queda de 11 governos. O último foi o de Nicolas Sarkozy, na França, que perdeu para um socialista, François Hollande, que pregava justamente uma revisão da política de austeridade. Merkel, cada vez mais isolada no continente, agora sofre uma importante derrota em casa, em um debate que reflete exatamente os embates no restante da Europa.

A Renânia do Norte-Vestfália é o Estado mais populoso da Alemanha e tem uma economia do tamanho da Turquia. A região é a mais industrializada do país e considerada um termômetro da opinião pública alemã. Ontem, o debate europeu sobre crescimento e austeridade foi transferido para as urnas.

Norbert Röttgen, pessoa de confiança de Merkel, liderou uma campanha propondo o acerto das contas estaduais. Já a vencedora, Hannelore Kraft, propôs uma reforma mais gradual das contas e insistia na necessidade de investir em educação e saúde.

Não por acaso, o resultado é uma derrota para Merkel. Não só seu partido perdeu a eleição como as ideias que defende para a Grécia foram rejeitadas. Röttgen, durante a campanha, chegou a alertar que a eleição seria um "referendo" sobre a posição de Merkel a respeito da dívida europeia e definiria se seu projeto "seria fortalecido ou enfraquecido".

Agora, o resultado enfraquece a União Democrata Cristã (CDU), de Merkel, e fragiliza ainda mais a posição da chanceler dentro do partido. Ela busca seu terceiro mandato em 2013 e sua campanha teria como base a posição dura que tomou com relação à Grécia e a outros países do bloco. A derrota ocorre às vésperas de uma visita de Hollande, que pedirá que Merkel reveja seus planos para a Europa.

Ontem, os sociais democratas (SPD) obtiveram 39% dos votos e, se aliados aos Verdes (12,2%), formariam um governo regional. Ambos já estavam no poder, mas em um governo de minoria. Kraft foi obrigada a convocar eleições depois que seu orçamento não foi aprovado no Parlamento local. Agora, poderá governar com ampla maioria.

Já o partido da chanceler viu seu apoio cair de 35%, em 2010, para 25%, o pior resultado nesse estado desde a 2ª Guerra.

Kraft ainda sai como uma futura adversária de Merkel e já deixou claro ontem que o resultado era um "importante sinal para as eleições gerais". Em 2013, segundo ela, o debate também será entre crescimento e austeridade.

Há sete anos, foi justamente a derrota do então chanceler Gerhard Schroeder na Renânia do Norte-Vestfália que forçou a convocação de eleições antecipadas, nas quais ele seria derrotado por Merkel.

Mais conteúdo sobre:
Eleições na Alemanha Angela Merkel

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.