AFP PHOTO / Daniel LEAL-OLIVAS
AFP PHOTO / Daniel LEAL-OLIVAS

Mesmo após 20 anos, interesse do público pela princesa Diana ainda é grande

No Reino Unido e em toda a Europa estão sendo divulgados inúmeros especiais, documentários e reportagens sobre ela

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 15h09

PARIS - Vinte anos depois de sua trágica morte, a princesa Diana volta a ocupar as primeiras páginas dos jornais europeus, conscientes de que o interesse do público por ela continua grande.

Inúmeros especiais, documentários inéditos, reportagens sobre a celebridade mundial, morta em um acidente de carro em Paris no 31 de agosto de 1997, ressurgem no Reino Unido e por toda Europa.

Como a maioria da imprensa britânica, o tabloide Daily Mail anunciou recentemente "um magnífico suplemento sobre a última mulher com pérolas".

"Nós encaramos este aniversário muito seriamente", afirma a chefe de redação da revista feminina polonesa Wysokie Obcasy, Ewa Wieczorek. "Diana é a capa da nossa edição de agosto. Os poloneses continuam fascinados por ela", explica. Na Bulgária, a revista 24 Tchassa consagrou à princesa cinco páginas na semana passada.

A França não ficou para trás. A televisão pública do país dedicará à princesa uma maratona especial no domingo, com documentários e a divulgação de uma investigação. "A morte de Diana causou um choque total. Vinte anos depois, é hora de examinar como a monarquia se humanizou e quem ela era de verdade", afirma um dos apresentadores do canal France 2, Stéphane Bern.

"Diana se encontra no panteão popular, com o mesmo destino trágico de Grace Kelly, Marilyn Monroe ou a rainha Astrid, da Bélgica. É, ao mesmo tempo, a estrela universal, a princesa sacrificada. A tragédia de sua vida a tornou imortal", comentou o especialista em realeza.

Para Matthias Gurtler, diretor da revista francesa Gala, que publica um número especial, a atração do público de hoje em dia “está diretamente ligada à princesa Diana, que rompeu os códigos desse universo circunspecto e rígido".

Ewa acrescenta: "Diana influenciou profundamente a família real e a evolução da monarquia. Ensinou seus filhos a se mostrarem próximos das pessoas comuns, a não esconderem suas emoções, longe da rigidez que caracteriza a antiga geração. Basta ver como o príncipe William se mostra afetuoso com seus filhos".

Lisbeth Bischoff, especialista em família real da emissora pública austríaca ORF, que divulgará um documento a respeito, considera que "o fascínio persistente que Diana causa é em razão de seu destino trágico, de uma mulher presa entre a monarquia, seu altruísmo e a pressão dos meios de comunicação".

Uma opinião compartilhada pelo psicanalista e cineasta francês Gérard Miller, para quem a vida da princesa não foi "um conto de fadas com final triste, e sim uma tragédia que só podia acabar mal", afirma ele em um documentário para a televisão francesa.

"O último ano de vida de Diana foi suicida. Cada decisão a levou para uma saída fatal", acrescenta Miller. "Sua história atrai porque acaba mal. Nós gostamos das princesas que morrem. (...) As pessoas não gostam de princesas felizes." / AFP

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