Mesmo após oferta russa Irã mantém intenção de enriquecer urânio

O ministro de assuntos exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou nesta terça-feira em Tóquio que "não há volta" no programa de enriquecimento de urânio de seu país e que o objetivo final é realizar a atividade no território iraniano e não na Rússia.Em seu segundo dia de visita oficial ao Japão, Mottaki se reuniu nesta terça-feira com o primeiro-ministro do país, Junichiro Koizumi, e o ministro da economia, Toshihiro Nikai, para quem reafirmou a postura do Irã com relação à energia nuclear.O ministro iraniano afirmou que seu país não alterará suas atuais atividades ligadas ao enriquecimento de urânio "para fins científicos", apesar da pressão internacional contrária, inclusive do Japão, que nesta terça-feira afirmou a Teerã de que "há um limite" no que Tóquio pode fazer para evitar uma crise em grande escala.Em 6 de março, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deve analisar um relatório sobre o programa nuclear do Irã, e o Conselho de Governadores da entidade já expressou sua intenção de enviar o caso ao Conselho Segurança da ONU, o que poderia levar à imposição de sanções a Teerã.Em entrevista coletiva, o ministro de relações exteriores do Japão, Taro Aso, disse que seu país tem uma longa relação com o Irã. Entretanto, enfrentar o Conselho de Segurança da ONU é o limite.Mottaki deu a resposta iraniana após se reunir com Koizumi e Nikai, com os quais também tratou de uma questão importante na relação entre os dois países: a compra do petróleo iraniano e os planos de exploração de uma imensa jazida no sul do país.Mottaki disse que no início seu governo pode aceitar a proposta de Moscou para enriquecer o urânio iraniano em território russo, mas seu "objetivo final" é realizar a operação no seu território.Desta forma, Mottaki jogou um balde de água fria sobre as expectativas criadas pelo governo russo há dois dias, quando afirmou que havia chegado a um pré-acordo com Teerã para enriquecer o urânio em território russo com o estabelecimento de uma empresa mista para este fim.No entanto, Mottaki deixou claro nesta terça-feira que ainda há pontos pendentes no pré-acordo, pois é necessário especificar "onde e durante quanto tempo" o urânio será enriquecido fora do Irã.Segundo a proposta de Moscou, os aspectos mais importantes do ciclo nuclear iraniano, como o enriquecimento do urânio (chave para obter matéria prima usada na fabricação de bombas atômicas), seriam realizados em território russo com supervisão da AIEA.Desta forma haveria a garantia de que o Irã não utilizaria um processo tecnológico que dê acesso a armas nucleares.Posteriormente, o urânio enriquecido seria levado ao Irã e utilizado nos reatores nucleares construídos com ajuda da Rússia em Bushehr, nas margens do Golfo Pérsico.O Irã decidiu retomar suas operações para o enriquecimento de urânio após a AIEA divulgar sua intenção de reportar o programa atômico iraniano ao Conselho de Segurança da ONU por descumprir as salvaguardas do organismo que vigia a não-proliferação nuclear.Em seu último relatório sobre o Irã, a AIEA indicou na última segunda-feira que, apesar de ter investigado o programa nuclear iraniano há três anos, várias perguntas continuam sem respostas por falta de transparência.A AIEA exigiu no dia 4 de fevereiro que o Irã "suspendesse totalmente todas as ações relacionadas ao enriquecimento e às atividades de re-processamento, incluindo pesquisa e desenvolvimento".No entanto, segundo o relatório apresentado na última segunda-feira pela AIEA, o Irã continua enriquecendo urânio em pequena escala na sua usina nuclear de Natanz, no centro do país.

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