Mohammed SAWAF / AFP
Mohammed SAWAF / AFP

Mesmo após renúncia do primeiro-ministro, protestos no Iraque continuam

País enfrenta manifestações há dois meses por uma nova Constituição e renovação da classe política

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2019 | 07h29

Centenas de pessoas retornaram às ruas de Bagdá neste sábado, 30, dando continuidade aos protestos que tomam o país há dois meses. O anúncio da renúncia do primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdul Mahdi, não foi suficiente para interromper as manifestações no país. Cidades do sul do país também registram atos contra "todos os corruptos". 

Na sexta-feira, Mahdi, que está no cargo há um ano, anunciou que "apresentaria ao parlamento uma carta oficial expressando sua intenção de renunciar, para que os deputados possam estudar as opções que têm".

Na cidade de Diwaniya, milhares de iraquianos se reuniram para pedir "a queda do regime" e o fim de um sistema político concebido pelos Estados Unidos desde a guerra e invasão de 2003 e a derrubada de Saddam Hussein

Também no sul do país, na cidade xiita de Najaf, não houve confronto. A calmaria ocorre após dois dias de grande violência, com 21 mortes desde quinta-feira.

Em Nasiriyah, cidade onde a repressão policial causou dezenas de mortes, manifestantes queimaram pneus para parar o trânsito em três pontes sobre o Eufrates. Ao mesmo tempo, centenas de manifestantes se reuniram em um campo instalado em uma praça no centro da cidade.

Em dois meses de manifestações, pelo menos 420 pessoas morreram e mais de 15 mil ficaram feridas, segundo um relatório da AFP baseado em fontes policiais e médicas. Desde quinta-feira, 42 manifestantes morreram em Nasiriyah, onde a polícia dispersa os protestos com disparos.

Os iraquianos exigem uma nova Constituição e uma renovação total da classe política, considerada incompetente, pois permitiu que o PIB anual do país, o segundo maior produtor mundial de petróleo, retraísse fortemente em 16 anos.

Na quarta-feira, manifestantes incendiaram o consulado iraniano e, na quinta-feira, cinco pessoas morreram em Najaf quando um grupo de civis armados matou vários jovens. As circunstâncias das mortes estão sendo investigadas. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.