Zohra Bensemra/Reuters
Zohra Bensemra/Reuters

Mesmo com bombardeio a Alepo, rebeldes ainda mantém domínio

Ministro do regime diz que cidade será 'limpa' e insurgentes confiam em uma 'resistência possível'

Andrei Netto, enviado especial a Marea, Síria,

29 de julho de 2012 | 21h21

MAREA, SÍRIA - Os bombardeios do Alepo, a segunda mais importante cidade da Síria, entraram neste domingo, 29, em seu segundo dia, deixando pelo menos 60 mortos nos combates, que envolveram tanques e helicópteros no bairro rebelde de Salahedine. A ofensiva, considerada determinante por ambos os lados para a sorte da revolução contra o regime de Bashar Assad, não abalou o domínio dos insurgentes em diversas regiões da cidade e em grande parte do norte do país - o que reforça o sentimento de que a vitória é possível.

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Em toda a Síria, mais de 60 pessoas morreram, dos quais 24 civis, nove rebeldes e 19 militares, em Al-hasaka, Homs, Deraa e Idlib. Combates e atividade de atiradores de elite também foram registrados na capital e em vilarejos da província de Alepo, em Al-Farkan, Manbaj e em Talahran, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Em Alepo, os enfrentamentos deixaram seis rebeldes mortos. No início da manhã, os bombardeios se concentraram na região sudoeste da cidade, em Salahedine, mas também em Bab al-Nasr e Bab al-Hadid, dois bairros situados nas imediações da Citadela, sítio histórico tombado pelo patrimônio da humanidade. No sábado, primeiro dia da ofensiva, os rebeldes teriam destruído nove tanques, freando a invasão por terra, que veio acompanhada de ataques por helicópteros e pelo monitoramento por aviões de caça.

Neste domingo, a intensidade da artilharia caiu e durante grande parte da tarde a cidade viveu um momento de trégua. De acordo com Yasser A., um dos coordenadores da resistência na vizinha Marea, a decisão de parar a ofensiva por algumas horas não significa que a batalha esteja encerrada - pelo contrário. "Parar o bombardeio pode ser só uma forma de dar um tempo para a população civil fugir. Eles fizeram isso em Homs e outras cidades quando atacaram", explicou.

Se é de fato uma estratégia, ela deu certo. Centenas de famílias continuaram a abandonar Alepo, temendo o agravamento da ofensiva e juntando-se aos mais de 500 mil habitantes que já teriam se refugiado no interior ou nos países vizinhos. Enquanto isso, em uma reunião com autoridades do Irã, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Wallid Mouallem, afirmou que as forças armadas leais do regime de Bashar Assad vão dominar a cidade. "Todas as forças anti-sírias se reuniram em Alepo para lutar contra o governo e elas serão sem dúvida vencidas", disse ele, acusando os governos do Catar, da Arábia Saudita e da Turquia em "impedir o fim dos enfrentamentos". "A Síria é alvo de um complô mundial cujos agentes são os países da região", afirmou, dizendo-se disposto a "vencer o complô".

Em outras cidades "liberadas" da província de Alepo, a convicção é contrária. Em Marea, 40 quilômetros ao norte da capital regional, onde à noite os rebeldes realizaram uma manifestação em praça pública, as forças lealistas estão refugiadas em um quartel e jovens ativistas jogam futebol à noite sem serem importunados pelas milícias do regime. Na cidade, a confiança é grande de que será possível manter o controle da metrópole econômica da Síria. "Talvez tenha sido um choque em Salahadine, mas várias outras áreas seguem sob o controle dos rebeldes", disse Luai Al-Najar, estudante de 22 anos. "É apenas uma questão de tempo. "O mais forte grupo do Exército Livre da Síria (ELS) está em Aleppo neste momento. Eles têm treinamento e boas armas. Creio que é possível vencer." 

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