Mesmo com fronteiras fechadas afegãos fogem para Paquistão

Uma menina de sete anos, Urzal, acorda durante a noite, chorando. sua irmã de seis anos, Nazeen, tem sobressaltos sempre que ouve uma voz alta. O primo das meninas, de 10 anos, Nasim, não gosta de ficar dentro de casa porque tem medo de que ela caia sobre ele. Essas crianças refugiadas, cujas famílias deixaram a capital afegã de Cabul há cinco dias, já estavam doentes e desnutridas quando deixaram suas casas. Agora, elas ainda estão com medo e totalmente deslocadas pois não conseguem achar um lugar para ficar. A família de Urzal - quatro mulheres e 17 crianças - dormiu nas proximidades de Cabul na noite passada, é uma das muitas que tenta buscar refúgio no paquistão. Eles conseguiram encontrar um caminhão de transporte e chegaram até a fronteira com o paquistão, que está fechada. Cruzaram a fronteira à noite, no escuro, com ajuda de guias que cobraram US$ 8 por adulto. Duas das mulheres da família deixaram para trás os maridos e todos os pertences. A família teve sorte em conseguir refúgio no país vizinho. Muitos refugiados, em especial na fronteira com a cidade de Chaman, são barrados na entrada, não podem cruzar a fronteira carregando parte de seus móveis e objetos. O governo paquistanês fechou a fronteira com o Afeganistão porque diz que já abriga mais de 2 milhões de refugiados afegãos e insiste: não tem mais condições de abrigar outras famílias sem ajuda internacional. As Nações Unidas já reconheceram que os recursos dos fundos de ajuda não estão chegando às mãos dos responsáveis por auxiliar os refugiados Mesmo assim, os refugiados continuam a chegar em grande número. As estimativas são de que 250 famílias chegaram à cidade de Peshawar desde o início dos bombardeios em 7 de outubro, mas um cálculo preciso é impossível de se obter, porque muitos dos refugiados estão escondidos. Acredita-se também que outros estejam com seus parentes em tribos próximas à fronteira. Leia o especial

Agencia Estado,

16 Outubro 2001 | 13h16

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