Mesmo fora de Kyoto, Canadá precisa reduzir emissões, diz ONU

A chefe de assuntos climáticos da ONU afirmou nesta terça-feira que o Canadá continua obrigado a cumprir as regras da entidade para a redução das emissões de gases do efeito estufa, apesar de o país ter se desvinculado do Protocolo de Kyoto.

NINA CHESTNEY, REUTERS

13 de dezembro de 2011 | 17h41

Christiana Figueres disse que o momento escolhido pelo Canadá para abandonar o tratado foi lamentável e surpreendente. O ministro canadense do Meio Ambiente, Peter Kent, anunciou a decisão na segunda-feira, logo após regressar da conferência climática anual da ONU, em Durban, na África do Sul.

"Seja ou não o Canadá parte do Protocolo de Kyoto, ele tem a obrigação legal sob a convenção (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) de reduzir suas emissões, e obrigação moral para si mesmo e para as futuras gerações de liderar o esforço global", disse Figueres.

O Canadá, grande produtor de energia, há anos se queixava de que o Protocolo de Kyoto é inviável por excluir os principais emissores de gases do efeito estufa - os EUA (que nunca aderiram ao tratado), a China e a Índia (ambas dispensadas de reduções obrigatórias por serem nações em desenvolvimento).

O Protocolo de Kyoto previa que o Canadá reduziria em 6 por cento suas emissões de gases do efeito estufa até 2012, em comparação aos níveis de 1990. Ao invés disso, suas emissões haviam crescido em 17 por cento.

Para Figueres, nações industrializadas que aumentaram significativamente suas emissões desde 1990 ficam em posição mais fraca para cobrar reduções dos países em desenvolvimento.

"Lamento que o Canadá tenha anunciado que irá se retirar, e estou surpresa com o momento", disse ela em nota.

No domingo, em Durban, mais de 190 países concordaram em prorrogar por pelo menos mais cinco anos a vigência do Protocolo de Kyoto, e nesse prazo negociar um novo acordo que incorpore metas obrigatórias de redução aos principais países poluidores.

O governo canadense diz que, como parte do tratado, sofreria multa equivalente a 13,6 bilhões de dólares norte-americanos por descumprir sua meta de redução de emissões até 2012.

Figueres disse ainda que o acordo de Durban para a prorrogação dos prazos de Kyoto foi essencial "para um novo impulso rumo a um acordo climático universal e com valor legal no futuro próximo".

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