MESMO MORTO, UM SÍMBOLO DE FORÇA

Autoridades manobram para 'perpetuar' Chávez

O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h07

As autoridades venezuelanas têm agido com rigor para evitar que imagens do corpo do presidente Hugo Chávez, morto na terça-feira, sejam registradas por populares e fotógrafos não oficiais. Repórteres fotográficos e cinegrafistas foram alojados em um tablado montado na Academia Militar em um local estrategicamente distante do caixão, que tem uma abertura de vidro até a altura da cintura.

"Como ocorreu durante os quase dois anos da luta de Chávez contra o câncer, o governo venezuelano cuida para que não seja tomada nenhuma imagem que possa explicitar alguma fragilidade de seu líder", diz o especialista em marketing político venezuelano Juan Ángel Solis. "A decisão de embalsamá-lo é mais um passo na conversão do presidente em um símbolo de resistência, até mesmo no que se refere ao corpo físico."

Partidários que enfrentaram entre 6 e 12 horas de fila para aproximar-se do caixão e dar seu último adeus a Chávez disseram ao Estado que ele usa a boina vermelha que se tornou sua marca registrada, uniforme militar verde-oliva e segura um crucifixo - segundo os militantes, o mesmo que exibiu ao retornar ao poder após a fracassada tentativa de golpe contra ele em 2002. Uma faixa diagonal vermelha sobre seu peito traz em letras douradas a palavra "milícia".

O presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, esclareceu ontem que o embalsamamento de Chávez será possível porque o corpo já foi submetido a um processo de conservação. Isso permitiu que Maduro anunciasse, na quinta-feira a extensão do velório do presidente por mais sete dias. Até agora, o governo não divulgou nenhum detalhe sobre o processo de embalsamamento.

Ontem, um filipino que ficou famoso por ter embalsamado o ditador Ferdinand Marcos ofereceu seus serviços aos líderes de Caracas. Frank Malabed explicou à agência AFP que, para o bom resultado do processo, o trabalho de embalsamamento deve começar rapidamente. / R.L.

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