EFE/Rahat Dar
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Mesmo sem ameaças 'específicas', EUA fazem alerta sobre ciberataques

Christopher Krebs, líder de cibersegurança do Departamento de Segurança Interna, alertou que ameaças podem se dirigir não apenas ao governo, mas também à população em geral

Zolan Kanno-Youngs/The New York Times, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2020 | 12h04

Logo depois de o major-general Qassim Suleimani, principal líder militar do Irã, ter sido morto em um ataque por drone, o chefe de segurança cibernética do Departamento de Segurança Interna alertou ao público que era "hora de se atualizar" contra os esforços do Irã de atacar sistemas de computadores nos Estados Unidos, mesmo após o secretário interino do departamento ter dito que "nenhuma ameaça específica e credível" ao país havia surgido desde a morte do general.

Chad Wolf, chefe interino do Departamento de Segurança Interna, convocou altos funcionários na noite de quinta-feira e na manhã de sexta-feira para discutir como responder à ameaça do Irã a respeito de uma forte vingança contra os Estados Unidos pela morte do segundo funcionário mais poderoso do país.

Sistemas de computador tornaram-se rapidamente alvos potenciais. Christopher Krebs, líder de cibersegurança do departamento, ressaltou no Twitter que a ameaça ultrapassa o governo federal.

“Tenham especial atenção com seus sistemas críticos”, disse Krebs. “Chequem se está havendo acessos de terceiros!”.

O alerta foi a ação de segurança mais específica dada pelo Departamento de Segurança Interna na sexta-feira após a morte de Suleimani. Alguns democratas e ex-funcionários da Segurança Nacional levantaram preocupações de que a falta de informações do governo Trump sobre os planos de defesa do país mostrasse que um departamento criado após os ataques de 11 de setembro de 2001 para proteger os Estados Unidos do terrorismo teria se transformado em um departamento cada vez mais focado na imigração.

“Nós temos visto pouca substância da administração - inclusive do Departamento de Segurança Interna - sobre como se está planejando para quaisquer contingências”, disse o deputado Bennie Thompson, presidente do Comitê de Segurança Interna. “A principal missão do departamento é nos manter a salvo de possíveis ataques, mas, sob esta administração, tem se concentrado quase exclusivamente sobre a imigração e não conta com um líder permanente desde abril.

Em comunicado, Wolf disse que ele encontrou com agentes oficiais na quinta-feira e na sexta-feira pela manhã “para avaliar novas potenciais ameaças e ações complementares para responder ao crescente cenário de ameaças. Mais tarde na sexta-feira, ele afirmou no Twitter que “não há nenhuma ameaça específica e credível contra o país”, mas que as agências do departamento aumentariam a segurança quando fosse necessário ou prudente.

Ele disse que a agência estava monitorando a situação no Oriente Médio com agências locais e federais. Alguns departamentos de polícia, incluindo Nova York e Chicago, convocaram policiais adicionais para alvos em potencial.

O Departamento de Segurança Interna pode ainda atualizar o Sistema Consultivo Nacional de Terrorismo para alertar sobre um possível ataque do Irã, de acordo com um oficial próximo das discussões. Os boletins do sistema, que são compartilhados entre as autoridades policiais em todo o país, não foram atualizados com essas informações na noite de sexta-feira.

O tenente-comandante Scott McBride, porta-voz da Guarda Costeira, disse que não surgiu "nenhuma ameaça específica conhecida" aos portos do país para "justificar um aumento em nossa postura operacional". Também não havia indicação da Administração de Segurança em Transportes de que os aeroportos estavam sofrendo ameaças.

Normalmente, depois que os Estados Unidos sofrem um ataque ou ameaça, o Departamento de Segurança Interna faz uma ligação com líderes dos 50 estados para compartilhar informações e aconselhar sobre protocolos de segurança. Informações sobre potenciais ameaças ou pistas para investigações são compartilhadas entre dezenas de centros de fusão que são parcialmente financiados pelo departamento.

O Departamento de Segurança normalmente também se comunica com comunidades religiosas e comunitárias que possam ser alvos específicos de ameaça. A Alfândega e Proteção de Fronteiras, uma agência do Departamento de Segurança Interna, é responsável por verificar quem entra e sai do país, além de patrulhar a fronteira.

O departamento também supervisiona a Agência de Cibersegurança e Segurança de Infraestrutura, que vai liderar a comunicação com o setor privado para evitar uma retaliação em larga escala do Irã, afirmaram autoridades atuais e ex-funcionários do departamento.

Contudo, ex-funcionários do departamento disseram que há preocupação de que, à medida que os esforços do Irã fiquem mais sofisticados - incluindo ataques cibernéticos e organizações intermediárias para executar atos de violência -, o departamento esteja menos preparado ao ter se afastado de sua missão original para implementar a agenda de imigração do presidente Donald Trump.

No ano passado, a Casa Branca expulsou vários funcionários da agência e os substituiu por funcionários dispostos a restringir agressivamente a imigração - incluindo alguns que compartilham do gosto de Trump pela retórica severa ao descrever esses migrantes. A preocupação com o estado da agência foi expressa publicamente em setembro, quando ex-secretários do departamento se reuniram para uma audiência no Senado, realizada no Museu Memorial Nacional do 11 de Setembro, em Nova York.

"Qualquer avaliação da Segurança Interna deve incluir uma avaliação do atual Departamento de Segurança Interna", declarou na audiência Jeh Johnson, ex-secretário de Segurança Interna do governo Obama. "Eu confesso que vejo o DHS de hoje com desespero e consternação. O departamento parece estar constantemente sitiado e em constante crise."

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