Mesmo sem feriado, libaneses celebram fim da ocupação israelense

Apesar de o novo governo libanês anti-Síria ter cancelado oficialmente o feriado, parte do Líbano celebrou nesta quinta-feira o sexto aniversário da retirada israelense do sul do país em meio a uma profunda divisão entre seus líderes sobre o futuro das armas do Hezbollah (Partido de Deus).Depois da retirada israelense, o governo libanês declarou o dia 25 de maio feriado nacional. Este ano, entretanto, o governo - dominado por políticos anti-Síria - decidiu cancelar o feriado sob a alegação de que é preciso diminuir o número de feriados oficiais.Mesmo assim escolas do sul do Líbano fecharam nesta quinta-feira. Apesar disso as repartições e escolas públicas de Beirute e outras cidades libanesas funcionaram normalmente hoje.O Hezbollah programou festividades em aldeias antes ocupadas e um grande protesto em Tiro, uma cidade portuária onde o líder supremo do grupo, xeque Hassan Nasrallah, pronunciaria um discurso.O grupo é amplamente reconhecido no Líbano como um movimento legítimo de resistência contra a ocupação israelense e faz, inclusive, parte do governo, com 11 cadeiras no Parlamento e chefia dois ministérios. Entretanto, é rotulado de "terrorista" pelos Estados Unidos e por Israel.O governo local encontra-se sob pressão dos EUA e da Organização das Nações Unidas (ONU) para desarmar o Hezbollah em respeito a uma resolução do Conselho de Segurança (CS) da entidade aprovada em 2004. Alguns líderes anti-Síria acusam o Hezbollah de utilizar seu arsenal para servir a interesses da Síria e do Irã. O Partido de Deus rejeita a acusação, apesar de admitir que recebe apoio desses dois países."O país vive uma divisão perigosa. A resistência transformou-se num assunto desagregador. Não existe unanimidade nem nada que se aproxime disso", escreveu Faiçal Salman, editor do jornal As-Safir, em sua coluna de hoje.O braço armado do Hezbollah conduziu uma guerra de guerrilha contra Israel durante os 18 anos nos quais o Exército do país vizinho ocupou o sul do Líbano. A ocupação começou em 1982 e terminou em 2000.O Hezbollah já gozou de amplo apoio entre a população libanesa. Depois da retirada israelense, porém, a influência do grupo concentrou-se a áreas majoritariamente xiitas do sul do Líbano, do Vale do Bekaa (leste) e dos bairros da zona sul de Beirute.Os políticos libaneses deverão voltar a discutir o arsenal do Hezbollah em 8 de junho, quando será retomada uma conferência nacional sobre o tema.Anteriormente, no entanto, os políticos não conseguiram chegar a acordo sobre as armas do Hezbollah nem sobre a remoção do presidente Emile Lahoud, pró-síria. Analistas acreditam que não será diferente dessa vez.Lahoud defende o papel militar do Hezbollah e diz que o grupo militante deve ser desarmado somente depois que o conflito árabe-israelense for encerrado por meio de um acordo de paz justo e abrangente.

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