Mesmo sem ser candidato, Reutemann é o preferido dos argentinos

Chamado de "Lole", o ex-piloto de Fórmula 1 e atual governador da província de Santa Fé, Carlos Reutemann, está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para o cargo de presidente da República. O mais surpreendente é que Reutemann, do partido do governo, o Justicialista (Peronista), não é candidato, e nos últimos três meses teve que repetir semanalmente que não pretende disputar a presidência.Uma pesquisa da IPSOS-Mora y Araujo indicou que 42% dos argentinos possuem boa imagem de "Lole" e estariam dispostos a votar nele nas eleições presidenciais marcadas para março do ano que vem. O segundo colocado é outro peronista, o ex-presidente Adolfo Rodríguez Saá, com 23%. Já o governador da província de Santa Cruz, Néstor Kirchner, também um peronista, possui imagem positiva "presidencial" para 27% dos pesquisados. A principal líder da oposição, a deputada Elisa Carrió, do Argentinos por uma República de Iguais (ARI), possui 25%.Famoso por não ser protagonista de um único caso de corrupção - algo raro no peronismo - Reutemann é alvo do constante assédio do presidente Eduardo Duhalde, que deseja que seja seu sucessor. Diversos empresários também pedem ao ex-piloto que seja candidato, e até se dispõem a pagar a campanha eleitoral.Especula-se que Reutemann poderia deixar de lado a recusa a concorrer à presidência até meados de outubro, quando vencem os prazos para definir as pré-candidaturas nas convenções dos partidos.A pesquisa da IPSOS-Mora y Araujo coloca o ex-presidente Carlos Menem com apenas 17%. Além disso, diversas outras pesquisas indicam que "El Turco", como é chamado popularmente, possui mais de 80% de rejeição do eleitorado argentino.Mas a situação de "El Jefe" (o chefe), como o chamam seus fiéis seguidores, poderia se agravar mais ainda nesta segunda-feira, já que terá que se apresentar para prestar depoimento na Justiça sobre o suposto encobrimento de contas bancárias na Suíça. A Justiça suspeita que o dinheiro destas contas poderia provir de um suposto suborno do Irã, destinado a esconder um eventual envolvimento do governo desse país no atentado realizado contra a associação beneficente judaica AMIA, em 1994.Menem não se apresentou nas duas convocações anteriores feitas pelo juiz federal Norberto Oyarbide. "Caso ele não se apresente corre o risco de ser declarado em rebeldia, e ordenaria sua captura", afirmou o juiz.O juiz federal Juan José Galeano assinará nos próximos dias um pedido de captura internacional de um grupo de diplomatas iranianos e membros do grupo fundamentalista Hezbollah. Galeano suspeita que estas pessoas teriam organizado o atentado contra a AMIA. No ataque terrorista faleceram 85 pessoas e ficaram feridas e mutiladas outras 300.

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