Mesmo sendo o filho mais novo, Qusay tinha amplos poderes

Qusay Hussein, o filho mais novo de Saddam, exercia amplos poderes sobre o implacável serviço de inteligência e segurança iraquiano. Era o número dois da lista entre os 55 nomes dos mais procurados membros do antigo regime, logo abaixo de seu pai. Seu aspecto discreto, que o diferenciava do irmão velho, Uday - um colecionador de carros de luxo e que tinha o costume de mandar os guardas seqüestrarem mulheres para violá-las - intimidava os interlocutores. Os iraquianos o chamavam de ?a víbora? por seu jeito calado e, ao mesmo tempo, um temperamento sanguinário. Tão brutal quanto o próprio Saddam, que depositava nele mais confiança do que no irmão, Qusay parecia ser também seu herdeiro no poder. Ele gerenciava a equipe que cuidava da segurança do pai e a Guarda Republicana, uma força de elite do governo, com um efetivo de 80 mil homens. Um exilado disse à Associated Press que apenas Qusay e o secretário particular de Saddam, Hamid Mahmud al-Tikriti, sabiam a qualquer momento onde se encontrava o líder. O caçula do mandatário compensou o baixo perfil de sua atuação durante a Guerra do Golfo de 1991 com o papel que desempenhou em seguida, ordenando execuções em massa e torturas para esmagar a sublevação xiita. Contra essa população, ele ordenou a destruição dos pântanos que durante milênios garantiram a sobrevivência dos povos vivendo às margens dos rios Tigre e Eufrates: mandou desviar as águas para impedir os insurgentes de se esconderem entre a vegetação rasteira. Várias testemunhas citaram a presença, nas sessões de tortura e multilação nas prisões, de Qusay - que em 2000 foi designado chefe do braço militar do Partido Baath e, pouco antes do início da guerra deste ano, foi encarregado da defesa da capital. Casou-se com a filha de um comandante militar, com quem teve duas filhas, e de quem se separou em seguida.

Agencia Estado,

22 Julho 2003 | 18h43

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