Mesmo tímido, documento é um passo importante

A "Revisão da Política Nuclear" (NPR, em inglês) anunciada ontem representou, inevitavelmente, uma melhora em relação ao documento anterior. Publicada em 2002, no auge do governo George W. Bush, a última NPR rejeitava o controle de armamento e defendia o combate à proliferação com ataques preventivos. Em vez disso, a versão de Obama coloca seu governo de vez no campo dos que favorecem o controle multilateral, com uma promessa de desarmamento futuro.

Análise: Paul Ingram, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

Qual é a novidade? Há um ano, em Praga, vimos Obama se comprometer com a meta de um mundo livre das armas nucleares. Esse documento do governo coloca tal visão no contexto da real distribuição militar atual.

Os EUA já fizeram garantias condicionais de segurança a Estados não nucleares antes, afirmando que não os atacariam com armas atômicas. Essa NPR estende compromissos incondicionais contra a todos os países não nucleares que honram suas obrigações.

Será que a nova NPR representa uma mudança drástica? A resposta imediata é "não". Apesar de o documento mencionar a redução do papel das armas nucleares na estratégia americana, o poder atômico de dissuasão continua a ser central e não se vê um grande compromisso com o desarmamento. Mas o documento é um passo na direção certa. Mantém as escolhas abertas e reconhece a necessidade de avanços adicionais.

É ANALISTA DO JORNAL BRITÂNICO "THE GUARDIAN"

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