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REUTERS/Ricardo Arduengo
REUTERS/Ricardo Arduengo

Meta não era matar presidente haitiano, dizem mercenários

Grupo diz que missão era levar líder haitiano ao palácio presidencial, mas o encontrou morto, segundo o ‘ Miami Herald’

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 05h00

PORTO PRÍNCIPE - Um grupo de colombianos e americanos de origem haitiana suspeitos de assassinar o presidente do Haiti Jovenel Moise disse aos investigadores que eles estavam no país para prendê-lo, não matá-lo, revelaram neste domingo, 11, o jornal Miami Herald e uma pessoa familiarizada com o caso. 

Moise foi morto a tiros na madrugada de quarta-feira em sua casa em Porto Príncipe pelo que as autoridades haitianas dizem ser uma unidade de assassinos formada por 26 colombianos e 2 haitianos-americanos. Três membros do suposto comando foram mortos pela polícia e seis estão foragidos.

O assassinato e a incerteza sobre quem planejou o complô representam um duro revés para o país, que já viveu anos de ditadura, golpes, um terremoto devastador, seguido por um surto de cólera. Os Estados Unidos rejeitaram o pedido de envio de tropas feito pelo Haiti.

Citando pessoas que falaram com alguns dos 19 suspeitos detidos, o Miami Herald disse que sua missão era prender Moise e levá-lo de sua casa para o palácio presidencial.  Os dois americanos, James Solages e Joseph Vincent, afirmaram aos investigadores que eram tradutores da unidade colombiana que tinha um mandado de prisão. Mas quando eles chegaram na casa, encontraram Moise morto. 

Segundo o jornal, os colombianos detidos disseram que foram contratados para trabalhar como seguranças no Haiti pela empresa CTU Security, com sede em Miami, dirigida pelo venezuelano Antonio Enmanuel Intriago Valera.

Nem a CTU nem Intriago puderam ser contatados para comentar. Um número de telefone associado à empresa em registros públicos enviava ligações para uma secretária eletrônica que fazia referência ao personagem fictício da TV Jack Bauer, que lutou contra o terrorismo na série 24 Horas.

Fotos e imagens de raio X postadas nas redes sociais no fim de semana supostamente da autópsia de Moise mostraram seu corpo crivado de balas, um crânio fraturado e outros ossos quebrados, ressaltando a natureza brutal do ataque. A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente sua autenticidade. 

Por meio da mídia social, haitianos em partes da capital, Porto Príncipe, planejam protestos nesta semana contra o primeiro-ministro interino e presidente interino, Claude Joseph. O direito de Joseph de liderar o país foi contestado por outros políticos importantes, ameaçando exacerbar a turbulência que envolve o país mais pobre das Américas.

Segundo a mídia haitiana, está previsto que uma delegação enviada por Washington se reúna separadamente com Joseph, que está no poder desde o assassinato de Moise, e com os outros dois homens que afirmam ter o direito de comandar o Haiti. Um deles é o chefe do Senado, Joseph Lambert, que em desafio a Claude  Joseph foi designado na sexta-feira presidente interino pelos oito integrantes do Senado, que não tem quórum desde 2020 por causa do adiamento das eleições de 2019.

O governo de Joseph, que recebeu o respaldo das Nações Unidas e dos EUA, não reagiu à nomeação de Lambert. O terceiro político que afirma ter o direito de exercer o poder após a morte do presidente é o neurocirurgião Ariel Henry.

Ele foi nomeado primeiro-ministro por Moise dois antes do assassinato, mas ainda não tinha tomado posse.  O ministro eleitoral Mathias Pierre afirmou que Joseph continuará no cargo até a realização de novas eleições presidenciais e legislativas em 26 de setembro.

Mas Henry afirmou que está formando um governo e criará um novo conselho eleitoral, pois o atual é considerado muito partidário, e esse conselho determinará uma nova data para as eleições.

A Constituição de 1987 do Haiti estipula que o líder da Suprema Corte deve assumir como presidente interino, mas emendas que não são reconhecidas por todos dizem que seria o primeiro-ministro ou, no último ano do mandato do presidente – como no caso de Moise – o Parlamento deveria eleger um presidente.

O Parlamento foi dissolvido e, para complicar ainda mais a situação política no país, o líder da Suprema Corte morreu mês passado de covid-19, em meio a um surto em um dos poucos países do mundo que ainda não começou uma campanha de vacinação. / REUTERS, EFE e AFP

 

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