REUTERS/Khaled Abdullah/File Photo
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Metade das crianças do Iêmen sofrerão desnutrição em 2021, alerta a ONU

Agências da ONU alertam ainda que cerca de 1,2 milhão de mulheres grávidas ou que amamentam também sofrerão de desnutrição aguda até o fim do ano

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 10h32

DUBAI - Metade das crianças com menos de cinco anos sofrerão de desnutrição em 2021 no Iêmen, e centenas de milhares delas podem morrer por falta de assistência humanitária, alertaram quatro agências da ONU nesta sexta-feira, 12.

O conflito que assola este país da península arábica, pobre, mas em uma área estratégica, o afundou na pior crise humanitária do mundo, segundo a ONU, com dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e uma população exposta à fome.

"A desnutrição aguda ameaça metade das crianças menores de cinco anos no Iêmen em 2021", ou seja, cerca de 2,3 milhões de crianças, alertaram a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Delas, 400.000 sofrerão desnutrição aguda severa e poderão morrer se não receberem um tratamento urgente", afirmaram, em um comunicado conjunto. 

O número, ainda de acordo com as agências, representa um aumento de 22% comparado com 2020. Cerca de 1,2 milhão de mulheres grávidas ou que amamentam também sofrerão desnutrição aguda em 2021.

"A cada dia que passa sem se fazer nada, mais crianças vão morrer. As organizações humanitárias precisam urgentemente de recursos previsíveis e um acesso livre às populações", disse a diretora-geral da Unicef, Henrietta Fore.

O Iêmen está registrando os piores níveis de desnutrição aguda severa desde a escalada do conflito em 2015, quando a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita começou a interferir em apoio às forças do governo contra os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.

"A crise no Iêmen é uma mistura tóxica do conflito, do colapso econômico e de uma escassez grave de financiamento para fornecer ajuda vital", lembrou o diretor executivo do PMA, David Beasley. "Existe uma solução contra a fome: comida e o fim da violência", insistiu./ AFP

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