Metade dos ministros sul-africanos anunciam renúncia

Onze membros do governo deixar o cargo depois que o presidente Thabo Mbeki foi obrigado a sair do poder

Agências internacionais,

23 de setembro de 2008 | 08h49

Metade do gabinete de ministros sul-africanos disseram nesta terça-feira, 23, que renunciarão, seguindo a saída do presidente Thabo Mbeki. Entre os 11 membros do governo que deixarão o cargo está o titular da pasta de Finanças, Trevor Manuel, muito apreciado pelos investidores internacionais. O anúncio foi feito depois que o partido governista Congresso Nacional Africano (CNA), que pediu pela renúncia de Mbeki no fim de semana, disse que o vice-presidente Kgalema Motlanthe assumirá a Presidência até as eleições de 2009. A renúncia de Mbeki começou a tomar forma na semana passada, quando a Justiça inocentou Jacob Zuma - que derrotou Mbeki nas eleições para líder do CNA em dezembro e deve ser ratificado na Presidência nas eleições de abril - das acusações de corrupção, denunciando "interferências políticas" na elaboração do processo. A decisão serviu de pretexto para que a base do CNA, dominada por Zuma, retirasse o apoio ao presidente no Parlamento.  "O presidente Thabo Mbeki recebeu a cara de renúncia dos seguintes membros do governo, que teve que aceitar com pesar", indicou a Presidência sul-africana em nota ao divulgar a lista completa. Entre os que deixaram o cargo estão também Jabu Moleketi, vice-ministro sul-africano das Finanças, que organizava diretamente os planos para a Copa do Mundo de 2010; o ministro da Defesa Mosiuoa Lekota e o ministro adjunto de Relações Exteriores, Aziz Pahad. Mbeki deixa a presidência após uma década no poder - ele assumiu o país das mãos de Nelson Mandela, em 1999. Ao contrário de seu antecessor, no entanto, Mbeki retira-se da política sul-africana pela porta dos fundos. Apesar de o país ter crescido em média 5% ao ano na última década, a riqueza foi mal distribuída - a população que vive na miséria absoluta dobrou -, o índice de desemprego atingiu 26% e a criminalidade bateu recorde. A política de combate à aids também foi um fracasso: 5,5 milhões de sul-africanos são soropositivos - a população mais infectada do planeta.  Mbeki também foi bastante criticado por sua política externa. Durante sua gestão, a África do Sul aproximou-se de Cuba, Irã e Líbia, e ajudou a China a vetar na ONU o debate sobre a violação de direitos humanos em Mianmar. Mbeki também foi considerado o principal responsável pela sobrevida de Robert Mugabe, ditador do vizinho Zimbábue.

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