REUTERS/ Luis Cortes
REUTERS/ Luis Cortes

Metrô desaba sobre avenida e deixa ao menos 24 mortos no México

Inaugurado em 2012, o trecho apresentava falhas recorrentes e teve sua construção marcada por denúncias de irregularidades

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 04h03
Atualizado 04 de maio de 2021 | 22h25

CIDADE DO MÉXICO — Subiu neste terça-feira, 4, para 24 o número de mortos em um dos mais mortíferos acidentes de metrô da história, em meio a dúvidas sobre a integridade da via elevada que desabou na noite de segunda-feira sobre uma movimentada avenida no sudeste da Cidade do México

O acidente ocorreu por volta das 22h30 (00h30 pelo horário de Brasília) entre as estações de Los Olivos e Tezonco, na linha 12 do metrô. Inaugurado em 2012, o trecho apresentava falhas recorrentes e teve sua construção marcada por denúncias de irregularidades.

Segundo a prefeita da capital mexicana, Claudia Sheinbaum, o viaduto desabou porque uma de suas vigas cedeu sob o peso dos vagões. Os feridos foram transferidos para dois hospitais da região metropolitana, Tlahuac e Iztapalapa, enquanto equipes de resgate buscavam outros sobreviventes. 

Câmeras de segurança registraram o momento exato em que a estrutura elevada cedeu, levando o trem a cair de uma altura de pouco mais de cinco metros. Outras imagens compartilhadas nas redes sociais mostram dois vagões dispostos em forma de "V" contra o solo. 

Mais de 70 pessoas ficaram feridas e 27 permaneciam internadas, 7 em estado grave. Apenas cinco dos mortos – entre eles crianças – tinham sido identificados até a noite desta terça-feira. Uma pessoa presa no próprio carro sob os destroços foi retirada com vida, mas gravemente ferida. 

Testemunhas na área disseram que ouviram um barulho alto, como um trovão. Minutos depois, a área ao redor da estação de Olivos estava cheia de ambulâncias, equipes de resgate, caminhões de bombeiros e pessoas desesperadas em busca de vítimas.

Por volta da meia-noite, o resgate teve de ser temporariamente interrompido porque a estrutura estava "muito fraca", segundo a prefeita. O trabalho só foi retomado após a chegada de um guindaste para dar sustentação ao que restou em pé do viaduto. 

Forças de segurança de todos os níveis colaboram na operação, incluindo militares, enquanto a prefeitura monta um centro de comando para dar informações aos familiares e isola o local na tentativa de dispersar a aglomeração.

A linha 12 do Metrô, que passa sobre a via elevada que desabou, foi construída em 2012, quando o atual ministro das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, era prefeito da Cidade do México. Alegações de projeto e construção deficientes na Linha 12 surgiram logo depois que Ebrard deixou o cargo de prefeito.

A linha teve de ser parcialmente fechada em 2013 para que os trilhos pudessem ser reparados. Ebrard e Sheinbaum são vistos como os sucessores mais prováveis do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, cujo mandato termina em 2024.

Surgiu preocupação com a integridade das vias elevadas e as colunas de apoio no trecho onde ocorreu o acidente depois que um poderoso terremoto foi registrado no México em setembro de 2017. Na época, o jornal El Universal publicou que uma coluna entre as estações de Olivos e Nopalera havia sofrido danos estruturais. 

O jornal mexicano disse que engenheiros conduziriam uma pesquisa de ultrassom do aço de reforço em 300 colunas ao longo da porção elevada da Linha 12, mas não ficou claro qual trabalho foi feito para resolver as questões de segurança. 

O chefe de estação da Linha 12, Jesús Urban, revelou que seis meses atrás tinha alertado sobre danos estruturais justamente no ponto onde ocorreu o acidente, mas não lhe deram atenção. Ele destacou que alertas foram feitos sobre outros trechos da Linha 12, assim como nas linhas B, 5 e 9. 

Funcionários do metrô ameaçam paralisar os trabalhos na próxima semana, alertando para os riscos com que circulam os trens das 12 linhas da Cidade do México, que transporta cerca de 4 milhões de pessoas por dia e é o segundo maior das Américas, depois do de Nova York. A diretora-geral do Metrô, Florencia Serranía Soto, disse ao El Universal que a empresa francesa TCO foi contratada em 2016 para conservação das instalações e infraestrutura e não identificou riscos. / NYT, AP e AFP

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