Metrópole dos novos ricos é a mais pobre dos EUA

A cidade de Miami, com 61% de seus residentes nascidos no exterior, ocupa o primeiro lugar entre as metrópoles mais pobres dos Estados Unidos, informou, nesta terça-feira, a Agência Nacional de Censo. Cerca de 32% dos residentes de Miami, conhecida nos meios turísticos como "a Cidade Mágica", têm rendimento anual inferior a US$ 8,794 por pessoa, a linha da pobreza segundo o governo americano. A notícia caiu como uma bomba entre os residentes, acostumados a pensar em Miami como uma cidade glamourosa, que atrai multidões de outros países. "Esta é uma cidade de extremos: de ricos muito ricos e de pobres muito pobres. Precisamos de uma classe média maior", afirmou o prefeito do município, Carlos Gimenez. O informe do censo inclui todas as metrópoles com mais de 250.000 habitantes. New Orleans e Atlanta são as outras cidades que formam o trio das mais pobres. Miami é um dos 30 municípios que são parte do condado de Miami-Dade, também conhecido como a Grande Miami. Em geral, o condado ocupa o posto 16º entre os mais pobres dos Estados Unidos. A vizinha cidade de Coral Gables, por exemplo, figura entre as mais opulentas dos Estados Unidos. Mas as novas cifras demonstram, sobretudo, que a erradicação da pobreza em Miami é um desafio que revela o fracasso da elite política da comunidade, formada em grande parte por imigrantes da América Latina e do resto do mundo. No censo anterior, realizado en 1990, Miami ocupou o quarto lugar entre as metrópoles mais pobres, com 31% de seus residentes abaixo do índice de pobreza do governo. Sociólogos indicam que a grande dependência da cidade em relação à indústria turística e de serviços a impede de adotar iniciativas que elevem o nível de vida de seus habitantes. Outros analistas não vacilam em acusar os imigrantes, com baixo nível de educação e habilidades, como os responsáveis por alimentar um círculo vicioso na economia local. As maiores comunidades de imigrantes em Miami são as de Cuba, Colômbia, Nicarágua, Haiti, República Dominicana, Porto Rico, Honduras, Peru, Argentina e Venezuela. Muitos mencionam o fato de uma recente iniciativa estatal para aumentar o salário mínimo na Flórida, acima do estabelecido pelo governo federal, ter sido facilmente derrubada devido às queixas das grandes empresas, que aproveitam em Miami as baixas expectativas de vida dos imigrantes. Outro fator responsável pela pobreza é a grande quantidade de americanos aposentados que vivem no município com renda inferior à da linha de pobreza. Estima-se que 17% dos residentes são aposentados vindos de diferentes regiões dos Estados Unidos, em busca de um clima mais ameno. Finalmente, os analistas indicam que a liderança cívica e política da cidade também fracassou estrepitosamente em revitalizar os bairros negros, onde os índices de pobreza chegam a um dos níveis mais baixos de todo o Estado da Flórida. A população negra vai sendo relegada a viver dos subsídios governamentais à medida que novas ondas de imigrantes ocupam os postos de trabalho antes destinados aos negros.

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