REUTERS/Hamid Mir/Editor/Ausaf Newspaper for Daily Dawn
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'Meu filho era um bom garoto, mas sofreu lavagem cerebral', diz mãe de Bin Laden

Em rara entrevista, Alia Ghanem diz ao diário britânico 'The Guardian' que Osama 'se converteu em uma pessoa diferente' após conhecer radicais na universidade; irmão de terrorista diz que matriarca da família não consegue aceitar culpa do filho por ataque

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2018 | 15h50

LONDRES - A mãe do terrorista saudita Osama bin Laden, Alia Ghanem, afirmou que seu filho, mentor do ataque às torre gêmeas de Nova York em setembro de 2001, era "um garoto muito bom" até que conheceu na faculdade pessoas que "lhe fizeram lavagem cerebral".

Em rara entrevista ao diário britânico The Guardian, Alia reconheceu que teve "uma vida muito difícil" e descreveu Osama como "um garoto tímido, mas bondoso", que gostava muito dela.

"As pessoas na universidade o mudaram. Se converteu em uma pessoa totalmente diferente. A verdade é que era um garoto muito bom até que conheceu essas pessoas que, quando tinha 20 anos, lhe fizeram lavagem cerebral", explicou ela em sua casa na cidade de Jeddah, na Arábia Saudita, ao lado dos irmãos de Osama,  Ahmad e Hassan, e de seu segundo marido, Mohammed al-Attas.

"Podemos dizer que ele praticamente estava em uma seita. Eu lhe dizia para não se juntar a eles e Osama nunca admitiu para mim o que realmente estavam fazendo porque me amava muito", completou a mãe.

Bin Laden se radicalizou enquanto estudava economia na Universidade Rei Abdulaziz, em Jeddah, onde conheceu Abdullah Azzam, um membro da Irmandade Muçulmana que mais tarde foi exilado da Arábia Saudita.

"Nunca poderia ter imaginado que se converteria em jihadista. Não que nada disso tivesse acontecido. Por que jogar tudo fora assim?", questionou Alia, que cresceu na cidade síria de Latakia e se mudou para a Arábia Saudita na década de 1950.

Alia se divorciou do pai de Osama em 1960, três anos depois do nascimento de seu primeiro filho e, mais tarde, se casou com Mohammed al-Attas.

A família afirma que a última vez em que viram Osama foi nos arredores da cidade afegã de Kandahar em 1999, ano em que o visitaram em duas ocasiões.

"Sua base estava perto do aeroporto que os russos capturaram. Estava feliz de nos receber e de nos mostrar todo o local. Até fizemos uma festa e convidamos todos (ao redor)", recordou Ali.

Um dos irmãos de Bin Laden, Ahmad, garantiu que a matriarca da família "se nega a culpar" Osama pelo ataque terrorista de 11 de Setembro, pelo qual responsabiliza os que estavam ao seu redor.

"Ela o amava tanto que não é capaz de culpá-lo (...) Ela só conheceu o Osama criança, aquele que todos nós vimos, e não conseguiu ver seu lado jihadista", comentou.

"Foi uma sensação estranha", expressou Ahmad ao ser perguntado sobre o ataque em Nova York. "Fiquei petrificado, mas desde o princípio todos supusemos que tinha sido Osama. Sabíamos que sofreríamos as consequências", completou. / EFE

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