AFP PHOTO / METROPOLITAN POLICE
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Meu filho se radicalizou pela internet, diz mãe de ítalo-marroquino que atacou Londres 

Valeria Collina disse que "entende e compartilha" a decisão dos imames de todo o Reino Unido de rejeitar oficiar o enterro dos três autores do atentado que deixou sete mortos e dezenas de feridos, ao atropelar e esfaquear pessoas

O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 18h21

ROMA - O ítalo-marroquino Youssef Zaghba, de 22 anos, identificado como o terceiro autor do atentado de sábado, 3, em Londres, radicalizou-se na internet, garantiu sua mãe em entrevista publicada nesta terça-feira, 6.

"Sempre controlávamos suas amizades, e a gente fazia o que podia para que não confiasse em gente errada. Mas tinha internet, e dali chega tudo", disse Valeria Collina à revista italiana L'Espresso.

"Nem na Itália, nem no Marrocos, onde estudava informática na Universidade de Fez, ele tinha se deixado influenciar por alguém", contou a mãe, que se converteu ao Islã depois de ter vivido no Marrocos e, agora, mora na localidade de Fagnano, perto de Bolonha, ao norte.

Para ela, foi durante a permanência de seu filho em Londres, no ano passado, que o jovem se radicalizou. "Vivia em um bairro de Londres que não me agradava. Não me transmitia serenidade. Saía com pessoas erradas", reclamou.

Valeria Collina disse que "entende e compartilha" a decisão dos imãs (clérigos) de todo o Reino Unido de rejeitar oficiar o enterro dos três autores do atentado que deixou sete mortos e dezenas de feridos, ao atropelar e esfaquear pessoas.

"É preciso dar um sinal político forte, incluindo para os parentes das vítimas e para os não muçulmanos", afirmou Valeria.

"Apenas uma mãe pode sentir a dor de outra mãe. Sei que nada será suficiente. Mas estou disposta a lutar pela paz. Sei que pedir perdão não quer dizer nada, por isso, eu me comprometo a dedicar toda minha vida para que não volte a acontecer", prometeu.

Questionada sobre como levará essa luta adiante, Valeria explicou que será "ensinando o verdadeiro Islã" e "combatendo com todas as forças a ideologia do Estado Islámico".

"Ele tinha me mostrado vídeos sobre a Síria. Me falou de ir para combater. Para ele, a Síria era um lugar, onde se podia viver o Islã puro. Ele dizia isso como se fosse uma fantasia que tinha visto na internet. Eu repetia para ele que não lhe mostravam as coisas horríveis. Infelizmente, não consegui que mudasse de ideia", desabafou.

A mãe de Zaghba relatou ainda a última conversa com o filho, na quinta-feira, 1º, dois dias antes do atentado. Agora, essa conversa lhe parece uma espécie de adeus.

Valeria confirmou que no último ano, seu filho estava sendo "controlado" por agentes dos serviços secretos italianos, após ter sido detido em março de 2016 em Bolonha, no norte da Itália. Isso aconteceu quando ele pretendia voar para a Turquia e, na sequência, ir para a Síria.

Segundo os serviços de Inteligência da Itália, a presença e os frequentes deslocamentos do jovem foram comunicados às autoridades britânicas. / AFP

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