Andrew Winning/Reuters
Andrew Winning/Reuters

Mexicano inventor do 'drible canguru', Blanco é eleito governador com 52% dos votos

Cuauhtémoc Blanco defendeu o México em três Copas, já governou a capital do Estado e deixou o poder em meio a vários escândalos

Cristiano Dias, enviado especial / Cidade do México, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2018 | 06h00
Atualizado 02 Julho 2018 | 15h13

CIDADE DO MÉXICO - O Movimento da Regeneração Nacional (Morena), partido criado pelo presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, venceu eleições cruciais no Congresso e em Estados. A mais simbólica foi no Estado de Morelos, vizinho da capital, onde Cuauhtémoc Blanco, ex-meia da seleção, conseguiu se eleger governador, com 52% dos votos. 

Blanco iniciou a carreira no clube América. Na Copa de 1998, em jogo contra a Coreia do Sul, Blanco consagrou o “drible canguru”, lance que consistia em prender a bola entre as pernas e erguê-la com um pulo para driblar os jogadores adversários.

Pela seleção do México, Blanco também participou das Copas de 2002 e 2010 e foi campeão pela seleção mexicana em 1999, na Copa das Confederações. Ele já governou a capital do Estado, Cuernavaca, e deixou o poder em meio a vários escândalos. A candidatura dele ao governo esteve ameaçada pela Justiça.

O Morena teria vencido com folga nos Estados de Veracruz, Chiapas, Puebla e Tabasco, onde nasceu Obrador. Confirmadas as sondagens, Claudia Sheinbaum se tornaria a primeira mulher a comandar a Cidade do México. A maré de vitórias, segundo analistas, pode dar ainda mais força ao governo de Obrador – o que não é necessariamente uma boa notícia.

+ Adversários aceitam vitória de Obrador, que põe esquerda pela primeira vez na presidência mexicana

Historicamente, o presidencialismo mexicano sofre com a hipertrofia do Executivo. Para o historiador Lorenzo Meyer, o único limite que têm os presidentes mexicanos é a catástrofe. Ou seja, só quando a crise econômica escapa do controle é que o seu poder diminui.

Se as pesquisas estiverem certas, Obrador terá mais poder do que todos os seus antecessores desde 2000, quando Vicente Fox, do PAN, acabou com sete décadas de monopólio do PRI, vencendo a eleição com 42,5% dos votos.

+ Peña Nieto sai com aprovação de 20%

No Congresso, a coalizão de Obrador deve dominar o Senado e a Câmara dos Deputados, também de acordo com pesquisa divulgada no domingo pelo instituto Mitofsky. “O controle do Legislativo pode dar a Obrador mais incentivo para governar de maneira autoritária”, afirmou Mariana Campos, do centro de estudos México Evalúa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.