Mexicanos estão céticos em relação à vitória democrata

Analistas mexicanos, especialistas nas relações do país com os Estados Unidos, estão céticos em relação aos benefícios para o México da vitória democrata nas eleições legislativas americanas. Eles enfatizaram a necessidade de o presidente eleito do México, Felipe Calderón, mudar a política do atual mandatário, Vicente Fox, de tratar a migração como o tema principal da agenda bilateral. "Com os democratas controlando a Câmara, há uma oportunidade" para a reforma migratória defendida pelo México, disse o chefe do Departamento de Estudos Internacionais do Instituto Tecnológico Autônomo do México (Itam), Rafael Fernández de Castro. O presidente George W. Bush tinha se comprometido com a reforma. No mês passado, porém, Bush assinou a lei que autoriza a construção de um muro de 1.226 quilômetros na fronteira com o México, a partir de uma lei criada pelo Congresso. A decisão tem provocado reações de indignação na América Latina. Fernández de Castro, diretor da edição em espanhol da revista "Foreign Affairs", lembrou que a futura presidente da Câmara de Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, afirmou à imprensa que faria o possível para ter um "olhar diferente sobre a migração". No entanto, o analista evitou comemorações. Na sua opinião, os democratas não vão arriscar o seu renovado capital político realizando grandes mudanças no Congresso. Se arriscarem muito, "não vão a chegar à Presidência em 2008", observou. Já Rodolfo Tuirán, pesquisador do Itam, disse que "a eleição abre amplas expectativas" de que haja uma reforma integral da política migratória americana. Tuirán criticou o presidente Fox por ter dado "muito peso" à migração na relação com os EUA, sem a contrapartida de ações em seu próprio país às reivindicações que fazia a George W. Bush. Nos Estados Unidos vivem mais de 10 milhões de mexicanos. Cerca de 5 milhões são imigrantes ilegais. Suas remessas de divisas a seus parentes no México, no ano passado, chegaram a US$ 20 bilhões.

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