Mexicanos podem pegar 30 anos de prisão por tuitar notícias falsas

Professor e radialista foram acusados de terrorismo por provocar pânico com mensagens sobre ataques a escolas

Julian Miglierini, BBC

06 Setembro 2011 | 10h45

CIDADE DO MÉXICO - Dois mexicanos que publicaram posts no Facebook e no Twitter sobre falsos ataques realizados por gangues de narcotraficantes contra escolas foram acusados de terrorismo e poderão enfrentar pena de até 30 anos de prisão.

O professor escolar Gilberto Martínez Vera e a radialista Maria de Jesus Barvo Pagolia, que vem sendo chamados de ''Twitter-terroristas'' no México, foram presos após terem publicado posts alertando para a ocorrência de sequestros e tiroteios perto de escolas, em Veracruz, a maior cidade do Estado mexicano homônimo, onde os dois vivem.

No dia 25 de agosto, Martínez Vera teria publicado o seguinte comentário no Twitter: ''Posso confirmar que cinco crianças foram levadas por um grupo armado no colégio Jorge Arroyo, no distrito de Carranza. Psicose total na área''.

Ele depois teria tuitado ainda que havia confirmado os sequestros com a sua cunhada, cujos filhos frequentam a escola. Poucos dias depois, teria postado outro tuíte, no qual falava de seis adolescentes que haviam sido atropelados. Um incidente semelhante havia ocorrido, mas não envolveu adolescentes.

Segundo as autoridades, no mesmo dia, Maria de Jesus Bravo Pagolia, ex-funcionária do governo, teria postado no Facebook uma mensagem dizendo que um helicóptero havia feito disparos contra um colégio durante o recreio das crianças.

'Confirmado e corroborado'

Em seu post, que não está mais disponível, ela teria dito que o incidente foi ''confirmado e corroborado''. Apesar de os eventos não terem sido verdadeiros, as mensagens provocaram cenas de pânico nas ruas de Veracruz.

Em entrevista à agência Associated Press, o secretário do Interior de Veracruz, Gerardo Buganza, afirrmou que foram registrados 26 acidentes com automóveis na região, já que muitas pessoas ''deixaram seus carros no meio da rua para ir correndo buscar seus filhos, porque acreditaram que essas coisas estavam acontecendo em seus colégios''.

Ele disse que o ocorrido foi ainda pior do que o pânico deflagrado nos Estados Unidos pela famosa dramatização radiofônica do livro A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, feita pelo cineasta e ator Orson Welles, em 1938. Na ocasião, muitos acreditaram que o Estado americano de Nova Jersey estava sendo invadido por marcianos.

Os acusados se dizem inocentes e afirmam que estavam apenas retuitando e compartilhando informações que já estavam circulando nas redes sociais. O escritório local da Anistia Internacional afirmou que a detenção da dupla foi ''injusta e viola o direito deles à justiça à liberdade de expressão''.

 

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