México apoiará EUA na briga com a Venezuela

Os Estados Unidos pediram e o México disse sim. O governo do presidente Vicente Fox decidiu mesmo se meter na briga entre a Casa Branca e a Venezuela e vai participar do processo de verificação do referendo revogatório do mandato do presidente Hugo Chávez, "determinação diferente à tradicional política de neutralidade da diplomacia mexicana", critica o jornal "La Jornada".A decisão mexicana foi anunciada pelo presidente George W. Bush, e não por Fox, durante entrevista à imprensa ontem à noite em Monterrey. "O presidente Fox e eu vamos seguir nossos esforços para apoiar a democracia na região. Vamos trabalhar com a Organização de Estados Americanos (OEA) para assegurar a integridade do referendo presidencial que vem sendo realizado na Venezuela", disse Bush, na entrevista conjunta concedida logo depois da reunião bilateral. Ante essa afirmação, escreve hoje o "La Jornada", "Fox ficou em silêncio e, horas depois, um funcionário do Ministério de Relações Exteriores informou que, de fato, o México desembolsou US$ 10 mil para manter o trabalho de observação que realiza na Venezuela uma equipe da OEA em torno do processo de consulta popular que deve determinar se Chávez permanecerá ou não à frente do país".É bom lembrar que a contagem de assinaturas necessárias para o referendo na Venezuela ainda está em processo de verificação e pode se estender até março. Por um lado, a oposição que tentou derrubar Chávez há pouco mais de um ano afirMam ter os votos necessários para convocar a consulta popular. Chávez, por sua vez, denuncia que várias pessoas assinaram duas vezes o que, na opinião dele, afetará o processo por haver "evidencias de fraude".Ao chegar a Monterrey, Chávez repetiu a velha frase: "Não tememos nada". Rebatendo as acusações de que ele estaria financiando rebeldes de outros países para desestabilizar regimes democráticos na América Latina, o presidente venezuelano afirmou que a queda recente de alguns presidentes, como os da Argentina, Bolívia e Equador, "é de responsabilidade dos EUA, do neoliberalismo e da política imposta por Washington, que têm gerado mais pobreza miséria e exclusão social".

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