Jose Luis Gonzalez/REUTERS
Jose Luis Gonzalez/REUTERS

México aumenta em 33% número de deportações de imigrantes em junho

Foram 21,9 mil deportados em comparação a 16,5 mil em maio; EUA também aponta redução de 30% no número de detidos na fronteira com o México

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 22h28

CIDADE DO MÉXICO - O México deportou em junho 33% mais de estrangeiros em comparação a maio deste ano, depois que o governo se comprometeu a endurecer sua política migratória diante das ameaças de sanções comerciais dos Estados Unidos.

Mais de 21,9 mil estrangeiros foram devolvidos aos seus países em junho, frente aos 16,5 mil deportados em maio, segundo documento do Instituto Nacional de Migrações (INM), ao qual a Agência AFP teve acesso nesta terça-feira, 2.

Os dados não especificam a nacionalidade, o sexo ou a idade dos deportados, nem outros detalhes como a condição na qual viajavam e o motivo específico de suas expulsões.

Somente nesta terça, o México deportou 69 imigrantes “que de forma livre e autônoma, buscam regressar aos seus países de origem”. São 40 hondurenhos, 22 guatemaltecos e 7 salvadorenhos, que viajarão por meio terrestre.

Também nesta terça, o chanceler do México, Marcelo Ebrard, afirmou que a apreensão de imigrantes na fronteira dos EUA com o México reduziu em 30% em junho, em comparação com maio. Os dados foram fornecidos pela agência Alfandegária e de Proteção Fronteiriça americana, e excederam as expectativas do governo, que anunciou no fim de junho a estimativa de uma redução em 25%

Pouco mais de 100 mil imigrantes foram apreendidos em junho pelos EUA na fronteira com o México, ante 144 mil detidos em maio. Os dados incluem pessoas que recorreram às bases do governo na tentativa de entrada legal no país, mas foram classificadas como inadmissíveis.

Em acordo firmado entre os dois países em 7 de junho, o México aceitou tomar medidas “sem precedentes” para deter imigrantes que entrassem em seu país rumo aos EUA, ou iriam ser alvo de um aumento de 5% nas suas tarifas em exportações.

Em 24 de junho, o México posicionou um reforço de 15 mil soldados e policiais em sua fronteira com os EUA. Segundo dados de maio, há 6,5 mil militares na fronteira sul, com a Guatemala.

O aumento do número de deportações ocorre em um momento em que as condições nas instalações norte-americanas para imigrantes ao longo da fronteira vêm causando polêmica, desde que um organismo regulador do Departamento de Segurança Interna dos EUA alertou para a “superlotação perigosa” na unidade de El Paso, em maio.

Em 26 de junho, um escândalo relacionado à devolução de mais de 100 crianças a um abrigo em Clint, no Texas, denunciado por condições precárias e maus-tratos, também levantou críticas às novas políticas adotadas pelos EUA, e também pelo México.

Na última segunda, parlamentares do Congresso norte-americano que visitaram a unidade principal de abrigo em El Paso e a instalação em Clint, também no Texas, disseram que os imigrantes estão sendo mantidos em condições deploráveis e, segundo a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, tinham que beber água de vasos sanitários. / AFP e REUTERS

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