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México busca alternativas diante da renegociação do Nafta

Presidente lança campanha "Hecho en Mexico" para impulsionar o consumo dos produtos mexicanos, negocia acordo de livre-comércio com o Reino Unido e fecha contrato com fábrica chinesa de carros

O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2017 | 21h19

CIDADE DO MÉXICO - Em meio às tensões diplomáticas e comerciais entre o México e os EUA, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, lançou a campanha "Feito no México" para impulsionar o consumo de produtos fabricados no país com elevado standard de qualidade. Ele também está se apressando em fechar acordos comerciais com países como Reino Unido e China, em meio à expectativa de o México ser afetado pelas medidas protecionistas do presidente americano,  Donald Trump.

 

O relançamento do selo "Hecho en Mexico", que inclui a imagem da águia mexicana, é fruto do esforço do setor público e da iniciativa privada para aumentar a competitividade dos produtos fabricados em território mexicano, seja por empresas nacionais ou estrangeiras, disse Peña Nieto.

Os EUA e o México, cujas relações estão estremecidas em razão do projeto de Trump de construir um muro na fronteira entre os dois países e das ameaças de impor tarifas de 20% sobre bens de fabricação mexicana para ajudar a indústria americana, parecem estar dando os primeiros passos para renegociar o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). 

Um comunicado nos sites dos ministérios de Relações Exteriores e Economia do México informa que o governo mexicano iniciou uma série de consultas ao setor privado, um processo que pode levar 90 dias. "As consultas no México começarão simultaneamente ao processo interno que está sendo realizado pelos Estados Unidos", disse o documento.

 

O presidente Trump afirmou nesta quinta-feira que quer realizar rápidas mudanças no Nafta. Em uma reunião na Casa Branca com congressistas, Trump disse que deseja adicionar mais um “f” ao Nafta, que representaria “free and fair trade” – “livre e justo comércio, não apenas livre-comércio”, explicou. 

Economistas acreditam que o processo será atrelado à lei chamada de autoridade fast-track aprovada durante o governo de Barack Obama que dá ao presidente o poder de fechar rapidamente um novo acordo comercial. De acordo com a legislação de 2015, Trump teria de avisar o Congresso 90 dias antes de iniciar negociações formais sobre o Nafta ou outro acordo comercial.

Se a Casa Branca decidir agir sob o fast-track, Trump poderia cancelar o Nafta e negociar separadamente acordos bilaterais com o México e o Canadá, disse ao Washington Post Gary Hufbauer, analista do Peterson Institute for International Economics.

As críticas aos acordos comerciais internacionais, especialmente ao Nafta, selado em 1994 com México e Canadá, foram uma constante por parte de Trump durante a campanha eleitoral e ele insiste nessa questão desde sua posse, em 20 de janeiro.Trump afirma que, por culpa de governos anteriores, o déficit comercial dos EUA com o México é de US$ 60 bilhões, o que ele quer mudar de imediato.

O comércio anual entre EUA e México movimenta US$ 500 bilhões e cresceu muito mais rápido do que suas respectivas economias desde o Nafta, como revelam dados do Banco Mundial e dos EUA. O México envia mais de 80% de suas exportações para os EUA, e a Câmara de Comércio americana diz que os empregos de cerca de 6 milhões de americanos dependem do comércio com o México. 

Acordo com Londres. Antecipando-se a um revés na renegociação do acordo comercial com EUA e Canadá, o chanceler do México, Luis Videgaray, conversou na quarta-feira por telefone com seu homólogo britânico, Boris Johnson,e os dois concordaram com a necessidade de negociar o quanto antes um acordo de livre-comércio entre os dois países, informou a chancelaria mexicana. Segundo o comunicado,Johnson foi convidado a visitar o México para "analisar a relação de cooperação e sentar as bases para futuros projetos".

Os dois chanceleres "manifestaram a intenção de negociar um tratado de livre-comércio entre o México e o Reino Unido assim que o processo de saída da União Europeia, o Brexit, permita", acrescentou a chancelaria mexicana.

Veículos chineses. Depois de a Ford anunciar no início do mês que estava cancelando a instalação de uma fábrica no Estado Mexicano de San Luis de Potosí, por pressão de Trump, as montadoras JAC Motors, da China, e a mexicana Giant Motors, empresa do magnata Carlos Slim, anunciaram nesta semana que investirão cerca de  US$ 212 milhões para produzir veículos no Estado de Hidalgo.

"Teremos um investimento na primeira fase de US$ 22 milhões para montar veículos asiáticos em Ciudad Sahagún, no Estado de Hidalgo, e, com isso, a criação de mil empregos diretos e 4.500 indiretos, disse o governador Omar Fayad. "Quando não se pode olhar somente o norte, podemos ver o oriente", acrescentou, saudando a participação de investidores da China, contra quem Trump também fez ameaças protecionistas./ AP, EFE e W.POST

 

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