México: Calderón começa a montar governo

O recém declarado presidente eleito do México, Felipe Calderón, começou a montar seu governo nesta quarta-feira enquanto seus apoiadores pediram aos partidários do candidato da esquerda, Andres Manuel Lopez Obrador, para que encerrem os protestos. Desde que o resultado parcial das eleições de 2 de julho apontou Calderón como vitorioso, milhares de eleitores de López Obrador estão engajados em denunciar supostas fraudes no pleito.Calderón teve uma série de encontros privados na manhã desta quarta-feira e marcou uma reunião com o atual presidente, Vicente Fox, para a tarde de hoje. No encontro, ambos irão discutir a transição governamental e o orçamento do próximo ano, informou o porta-voz de Fox, Ruben Aguilar.O porta-voz disse também que o presidente dos Estados unidos, George W. Bush, ligou para Fox nesta quarta-feira para parabenizá-lo pelo fim de um longo processo eleitoral. Bush também enfatizou ao seu colega mexicano a "força da democracia do México". Porém, as disputas retóricas e tensões que já duram semanas devem continuar, visto que Lopez Obrador jurou nunca aceitar a vitória de Calderón, além de ter dito que criaria seu próprio governo paralelo."Não reconheço alguém que tenta agir como o chefe do executivo federal sem ter uma representação legítima e democrática, disse o candidato derrotado a milhares de partidários na praça central da Cidade do México, o Zócalo. A multidão, então, gritou a seu apoio: "Felipe, o povo não o quer!".Paz e unidadeGrupos cívicos e organizações comerciais, assim como os bispos mexicanos da Igreja Católica, publicaram na edição desta quarta-feira do El Universal, principal jornal do país, anúncios que pediam paz e unidade após o fim da disputa eleitoral. Em uma entrevista na tarde de terça-feira à emissora de televisão mexicana Televisa, Calderón disse que poderá começar a formar seu governo "imediatamente", mas levará algum tempo escolhendo um gabinete. Ele afirmou que irá buscar "pessoas honestas (...), pessoas capazes, pessoas que são leais ao plano (administrativo) e ao México".Sempre confiante em uma eventual vitória, Calderón foi silenciosamente arquitetando planos para a transição logo após as eleições de 2 de julho. O Tribunal Eleitoral Federal rejeitou as alegações de Lopez Obrador de que houve fraude nas eleições e considerou Calderón o presidente eleito, com 233.831 votos a mais do que seu adversário (uma margem de 0,56%). A decisão não poderá ser apelada.

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