México: candidatos encerram campanha para eleição de domingo

Os principais candidatos à presidência do México encerraram nesta quarta-feira a campanha para a eleição de domingo, uma das mais apertadas da história do país, com o candidato da esquerda Andres Manuel López Obrador fazendo um comício para eleitores pobres e o conservador Felipe Calderón alertando que seu rival vai fazer o país voltar aos tempos de ciclos econômicos de altos e baixos.No centro da eleição de domingo está o duelo da realidade econômica: o México possui uma enorme população pobre, apesar da recente estabilidade que possibilitou a muitas famílias a obterem casa própria, hipotecas e carros novos pela primeira vez. O resultado da eleição, em um único turno, vai decidir se o México vai se juntar a crescente onda de líderes carismáticos de esquerda da América Latina ou continuar a apostar no conservadorismo fiscal e no livre comércio. As duras escolhas "são o resultado de um modelo econômico que, mesmo que não tenha se esgotado ainda, tem causado tensão social" entre os ricos e os pobres, disse o analista político Oscar Aguilar. Aqueles contrastes estiveram a mostra nesta quarta-feira, o último dia legal de campanha antes dos quatro dias de "reflexão", período no qual os candidatos são proibidos de fazer declarações públicas. Nas últimas pesquisas permitidas - publicadas na semana passada - mostraram que Calderón está colado com López Obrador, candidato de esquerda do Partido Revolucionário Democrático (PRD). A base da esquerda está na Cidade do México, cuja principal praça comporta mais de 100 mil pessoas. Esta praça testemunhou cenas históricas que López Obrador vê como os pontos máximos da história do país, como a desapropriação das companhias de petróleo estrangeiras em 1938. Calderón marcou o encerramento de sua campanha no conservador estado de Jalisco, onde anunciou sua candidatura. Calderón, e os grupos empresariais que apóiam sua candidatura, passou grande parte da sua campanha acusando López Obrador de oferecer a volta de um grande governo, com gastos excessivos, que freqüentemente levou a crises econômicas no passado. "López Obrador é um perigo para o México", foi o principal slogan de Calderón. Do outro lado, a campanha de López Obrador foi marcado por promessas de "colocar o pobre em primeiro lugar", com o estabelecimento de universidades com inscrições livres, criação de pensões e programas de suporte em dinheiro para pobres e idosos e proteção ao setor agrícola com a recusa à uma cláusula do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) com os EUA e o Canadá."O próximo presidente do México não será um lacaio de qualquer governo estrangeiro", disse López Obrador. Contudo, ele buscou se distanciar da "onda de esquerda" na região e resistiu aos freqüentes esforços da campanha de Calderón de compará-lo com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez - um socialista antiamericano conhecido por sua retórica agressiva. López Obrador buscou em sua campanha projetar uma imagem mais amigável, menos ameaçador, com slogans como "Sorria, vamos vencer" e "Felicidade está a caminho".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.